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BRAGANÇA PODE FICAR SEM ÁGUA

 

MAS AS PESSOAS PODERÃO SEMPRE

 

BEBER UM POUCO DE “FÉ”

 

DA MINISTRA DA AGRICULTURA

 

OU DO “SUOR” DOS PASSARINHEIROS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Ministra da Agricultura diz que é uma pessoa de “fé”. Eu também… de Alfândega da FÉ, mas não acredito em milagres! E ela pelos vistos também não, apesar da “fé”! Nem sequer deu tempo para lhe dizer que resolver o problema grave que o País já está a atravessar com a falta de água com crenças nos santos e “fé” não é propriamente o que se espera de uma Ministra e de um Governo. Agora já diz que está a preparar relatórios para Bruxelas. Como diz o Povo, “a ver vamos”. E "a ver vamos" para onde há-de ir o dinheiro que vier, se para os produtores agrícolas, se para os proprietários agrícolas, que não é exactamente a mesma coisa, embora muita gente pense que sim. Mas o episódio não deixou de me recordar aquela quadra deliciosa (das muitas igualmente deliciosas) de António Aleixo:

"Pára-raios nas igrejas

São para mostrar aos ateus

Que os cristãos quando troveja

Não têm confiança em Deus!"

Também se poderia dizer o mesmo do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares sobre o Carnaval. Tem muita “fé” o senhor ministro para afirmar que para o ano também não HAVERÁ tolerância de ponto no Carnaval… até pode não haver este Governo! Mas que vai haver Carnaval, lá isso vai, com ou sem tolerância de ponto. Também pode escrever.

Mas voltemos à “fé” da Ministra da Agricultura na água da chuva que há-de vir... e sobretudo ao problema sério e grave do futuro.

Dizem os entendidos nestas coisas de mudanças climáticas e não apenas os nacionais, também os de outros países, que lá para o ano 2025 a coisa vai ser ainda mais séria, ou seja, os anos de seca severa, vão mesmo acontecer. Portugal não será excepção como, aliás, uma boa parte da Península Ibérica.

Esta previsão é assustadora. Os efeitos na agricultura serão devastadores e o abastecimento de água domiciliária entrará em ruptura, como já agora se adivinha, mesmo aqui no nosso distrito. Bragança é disso um exemplo.

Não me parece que o problema se resolva com apelos à poupança de água. Mesmo que essa poupança se transforme numa boa prática, o que na realidade vai acontecer é que o custo da água domiciliária subirá vertiginosamente. Assustadoramente. Digamos que daqui a uma década poderemos ter de pagar por um metro cúbico de água vinte ou trinta vezes mais do que pagamos agora e que, mesmo assim, as torneiras podem correr menos ou secar!

Pois bem, a que propósito vem esta minha reflexão?

Em primeiro lugar, de uma constatação evidente. Existem muitos casos em que as pessoas não pagam um cêntimo pela água de regadio. No caso que melhor conheço, no meu concelho, uma boa parte dessa água serve apenas para quintais urbanos e jardins, pouco ou nada contribui para a produção agrícola, quando não é simplesmente desperdiçada. Mas quem paga os custos de manutenção de uma rede de um suposto “regadio” que já vai não sei aonde e ao longo dos anos se foi degradando? Os que utilizam essa água, seja na agricultura, para regar jardins ou para lavar carros? Errado. Esses custos são pagos pelo erário público, que é como quem diz, por todos nós, tenhamos ou não usufruto desse “benefício”.

O problema não é de hoje. Bem pelo contrário. Mas nesta história, também à boa maneira Portuguesa (não temos só virtudes, pois não?!...) uns contaram um conto e outros acrescentaram um ponto… um ponto de água, legalizado ou mais ou menos clandestino, até chegar a esta situação e a uma pergunta muito simples para a qual avançamos também respostas simples: haverá hoje, por exemplo, alguém que saiba exactamente onde começa e acaba a rede de “regadio” da Barragem da Esteveínha? O Ministério da Agricultura sabe? Duvido. Os Serviços Hidráulicos (não sei se ainda existem ou se já mudaram de nome) sabem? Duvido. A Câmara Municipal sabe? Duvido. Embora esta última seja a única entidade que se tem preocupado com o assunto e procurado soluções, que tardam em aparecer.

Vejamos o assunto noutra perspectiva não menos pertinente. A quem compete gerir os regadios agrícolas? Às Câmaras Municipais? Não me parece que esse assunto esteja nas suas competências actuais. Se não é às Câmaras Municipais, será ao Ministério da Agricultura? Seria o mais lógico. Mas o que vemos nós, ao longo de décadas, pelo menos no caso referido? Nada de Ministério da Agricultura, nada de Comissão de Regadio, nada de obrigar os consumidores a serem pagadores (dentro dos valores justos e em função do consumo de cada um) pelo menos de parte dos custos de manutenção e/ou ampliação da rede de regadio.

Se no consumo doméstico de água tratada já hoje temos de ter contenção e no futuro mais ainda, não apenas pelo actual custo e escassez observável, mas sobretudo pelo custo que virá a ter e acrescida escassez, não será justo que igual atitude se exija a quem usa e abusa gratuitamente das reservas de água destinadas ao regadio agrícola? A mim parece-me lógico que assim seja. Outros terão melhor opinião.

De uma forma geral temos o hábito de esquecer como foi no passado. Eu tenho registos fotográficos de vários anos da barragem que abastece o regadio a que me referi. Já a vi algumas vezes com menos água em Fevereiro e até em Março, mas desde 2000 para cá só me lembro de ter enchido até ao mês de Dezembro no ano de 2006. Dá para pensar. No dia em que não houver água não faltarão lamentações. Pode é ser tarde.

O segundo aspecto que motivou esta reflexão prende-se com a construção de barragens. Bragança (a cidade e boa parte do concelho) tem quase todos os anos problemas com o abastecimento domiciliário de água pelo facto de não se construir uma barragem que resolva o problema, ou pelo menos o minimize. Se não chover o suficiente a cidade ficará sem água e já existem aldeias com falta dela. Dá para entender que essa barragem, projectada há cerca de 30 anos, não se construa pelo facto de a sua localização ser no Parque Natural de Montesinho e causar “impacto ambiental”? Então temos Parques Naturais para serem um factor de desenvolvimento ou para serem entraves à resolução de problemas sociais graves? Ou a falta de água domiciliária, no século XXI, não é um problema social grave? A maltinha que vem lá de Lisboa e afins (mais os regedores que já por cá andam) com a bandeira dos “pássaros, passarinhos, passarucos, aves de rapina e cucos” tem alternativas? Os ambientalistas alguma vez apresentaram alguma proposta decente de armazenar água que não seja através de barragens, sejam elas grandes ou pequenas? Isso causa impactos ambientais? Sem dúvida. O que é que o Homem faz que não cause algum tipo de impacto ambiental? Os painéis solares nos telhados das casas, as parabólicas, as torres eólicas e por aí adiante, não causam impactos ambientais? E as bicicletas, não causam impacto ambiental? São feitas onde, como e com o quê? O que não vemos não nos incomoda, é essa a filosofia de avestruz? Já agora (acho que já fiz a pergunta mais vezes) alguém me consegue explicar como é que a Barragem do Azibo, cujo fim inicial era exclusivamente o regadio, se transformou numa praia fluvial e numa Zona Protegida? Mas zona protegida para proteger o quê? O ecossistema criado pela própria barragem, que certamente teve impacto ambiental, ainda que ao tempo isso não fosse “moda”, ou o que na zona existia antes da construção da barragem?!

E o Ministério da Agricultura ainda anda a fazer relatórios! Então este problema ainda necessita de relatórios? O problema de Bragança, por exemplo, que até pode nem ser do Ministério da Agricultura, mas há-de ser de outro ministério qualquer, onde também se fazem muitos relatórios, ao fim de 30 anos ainda está à espera de ser resolvido? Se fosse em Lisboa também demoravam três décadas? E acham que a questão do "impacto ambiental" não tinha já sido ultrapassada como foram muitos casos que bem conhecemos e a justiça arrastou ou arrasta até à prescrição final?

Mas não, é Bragança, é Nordeste Transmontano, aquela coisa "lá no Norte" que fica longe como tudo e não tem quase ninguém...incluindo três deputados que andam pela capital... sabe-se lá a fazer o quê (como os restantes). Então os nossos deputados só fazem barulho quando andam aos votos?

Mas alguns dos de cá também têm culpa no cartório. Continuem a agitar as bandeiras contra as barragens e daqui a uns anos queixem-se de não haver água, nem para banhos, nem para couves!

Fintem-se no poder milagreiro dos santos e protejam-se com toda a “fé” que exista no mundo. Quando vos faltar a água hão-de fazer como os outros, comprar um pára-raios para pôr no telhado!

 

F. Lopes, 24 de Fevereiro de 2012

 
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