Entrada

Novidades do site

A Escola em fotos

Galeria de imagens

PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

FONTES DE MERGULHO

NO CONCELHO DE ALFÂNDEGA DA FÉ

 

I – Nota prévia

 

Este trabalho é um pequeno resumo de um outro que tenho vindo a preparar há uns bons quatro anos e que, por falta de tempo para a necessária pesquisa no terreno, ainda não pôde ser concluído, apesar do precioso contributo dado por um grupo de professores estagiários de Biologia na Escola EB2,3/S, que se dedicaram a este tema, por sugestão minha junto da respectiva orientadora da UTAD, Mila de Abreu.

Contudo, face à quantidade dos elementos já recolhidos, pareceu-me que era altura de dar a conhecer alguns aspectos deste património concelhio, também na esperança de que as pessoas me possam fazer chegar novas informações sobre a existência de outras fontes, muito embora algumas delas já não conservem as suas características originais e outras tenham sido tão transformadas que hoje dificilmente podem incluir-se neste tipo de levantamento. Mas isso não importa. Eu irei verificar todas as informações que me façam chegar, agradecendo desde já a todos quantos queiram continuar a colaborar nesta minha intenção.

O que agora escrevo não pode, por isso, considerar-se como definitivo, nem em relação à identificação das fontes, nem das “teorias explicativas” em torno desta temática. O objectivo, para já, é apenas a de chamar a atenção para a importância da preservação deste tipo de património, dando a conhecer alguns exemplos. O trabalho de levantamento, descrição e caracterização e os comentários aos restauros já efectuados, ou a efectuar, ficarão para mais tarde e possivelmente darão lugar a uma pequena publicação que sirva de roteiro para quem queira visitar estas Fontes de Mergulho.

Uma coisa é certa: quando concluir este levantamento irei apresentar os resultados à Câmara Municipal para que, em colaboração com as Juntas de Freguesia, se proceda ao restauro do maior número possível das Fontes de Mergulho ainda existentes no concelho.

No entanto, importa esclarecer, em linguagem clara e objectiva, o que se entende por este tipo de fonte: trata-se de uma técnica de abastecimento às populações, essencialmente urbana e que tinha como característica fundamental o facto de o recipiente utilizado para o transporte (cântaro, “pechorra”, ou outro) ser directamente introduzido na água da fonte, com a própria mão, ou seja, mergulhado, e daí o nome FONTE DE MERGULHO.

 

 

II – O interesse patrimonial das Fontes de Mergulho

 

 

Não conheço nenhum estudo sistematizado acerca da origem das Fontes de Mergulho, muito embora existam referências da sua utilização pelo menos desde a Baixa Idade Média, tendo o seu uso chegado ao século XX. Considerando as inúmeras notícias sobre este tipo de fontes, quer em publicações dedicadas ao património, quer mais recentemente em textos da Internet, é um dado adquirido que elas existem um pouco por todo o território continental e a sua preservação começa hoje a merecer mais atenção.

Com efeito, no caso concreto de Alfândega da Fé, com investimentos de pouca monta seria possível restaurar (refiro-me a limpeza do interior e zona envolvente e um ou outro melhoramento que não destrua as características originais) uma boa dezena destas fontes, o que valorizaria patrimonialmente as nossas freguesias e constituiria um interessante roteiro turístico a acrescentar a outros, como o do património religioso, que é o mais frequente em todas as localidades.

Nos últimos tempos foram efectuadas duas intervenções (Fonte Limpa, em Vilarchão e Fonte da Laje, em Colmeais) e isso permite ver a diferença, tal como aconteceu há uns anos na Fonte do Prado, em Valverde e na Fonte de S. Roque, em Vilares da Vilariça.

Contudo, importa combater um hábito que se foi generalizando e que consiste na ideia errada de que as coisas antigas ficam melhor com um toque de modernidade. As coisas antigas só têm verdadeiro valor patrimonial se as conservarmos como eram ou, tanto quanto possível, em função do seu actual estado de conservação, o mais próximo disso. As alterações imprescindíveis para a sua conservação devem ser definidas e acompanhadas por gente especializada e não por curiosos, como infelizmente tem acontecido muitas vezes.

Em épocas passadas as Fontes de Mergulho foram apontadas como uma das causas da propagação de doenças e epidemias, razão pela qual o uso desta forma de abastecimento de água pública foi sendo substituído por outros modelos, passando pelos fontanários e terminando na distribuição domiciliária que caracteriza os nossos tempos.

Este fenómeno da propagação de doenças é fácil de perceber. Antes do desenvolvimento da medicina as pestes e outras epidemias eram frequentes no nosso país e em toda a Europa e a forma mais fácil de as pessoas se contagiarem umas às outras era através do uso comum das Fontes de Mergulho; as vasilhas utilizadas, fossem de barro ou de latão, eram mergulhadas directamente na fonte, prática que tornava fácil a propagação de doenças através da água, elemento de que o nosso corpo não prescinde.

A construção das primeiras redes de abastecimento domiciliário de água foi ditando o fim das Fontes de Mergulho e, no caso do nosso país, ao longo do século XX, particularmente nos anos 50, foram sendo fechadas (razão pela qual muitas das que se conservaram apresentam uma parede na área que antigamente servia para a recolha da água) ou simplesmente destruídas e transformadas em fontanários.

Ainda que consideradas um perigo para a saúde pública, algumas destas fontes não foram destruídas ou fechadas e, embora de forma esporádica, continuam a ser utilizadas, sobretudo quando se situam dentro, ou nas imediações das localidades.

Actualmente, sempre que se recupere uma Fonte de Mergulho que tenha sido fechada, deve devolver-se a sua estrutura à forma original, retirando a parede frontal e a pequena porta que veda o acesso e a visibilidade do interior; a ideia não é permitir novamente o uso da água para consumo doméstico, mesmo que ocasional, mas permitir a observação da estrutura da fonte. Em caso de perigo, devido às suas dimensões e ao perigo que possa comportar para crianças, ou outras situações que em cada caso concreto se adivinhem, a melhor solução será colocar uma grade de ferro na entrada, permitindo a visibilidade para o interior, mas não o acesso. Em Soeima temos um exemplo de Fonte de Mergulho que não foi fechada, mas na qual se colocou um gradeamento de ferro, com porta. Na minha opinião, este deve ser o modelo a seguir.

 

III – Primeiro esboço de classificação das Fontes de Mergulho do concelho de Alfândega da Fé

 

A análise das fontes de mergulho identificadas neste trabalho já permite apresentar um esboço de classificação, com base numa metodologia que assenta em quatro parâmetros:

1 – Localização;

2 – Importância no abastecimento de água;

3 – Características e qualidade da construção;

4 – Materiais de construção.

 

1 – Localização

As Fontes de Mergulho já identificadas situam-se praticamente todas nas zonas urbanas. No entanto, existem ainda alguns exemplos em espaço rural que podem ser consideradas Fontes de Mergulho, como acontece em Cerejais e existem notícias de outras idênticas em várias freguesias.

O Padre Carvalho da Costa (COSTA, Padre António Carvalho da (1706-12); Corografia Portuguesa e Descrição Topográfica do Famoso Reino de Portugal…) refere o número de fontes da maior parte das localidades, mas não as identificou, nem as localizou. Considerando o elevado número que apresenta em alguns casos (por exemplo Agrobom, com 60 fontes) é quase certo que se referia a todas as fontes de cada freguesia, urbanas e rurais. Muitas destas fontes rurais poderiam ser de mergulho, sobretudo aquelas que se localizavam junto a caminhos de maior importância para a circulação das pessoas, mas outras deviam ser fontes comuns, totalmente abertas, como ainda hoje se encontram um pouco por todo o lado.

 

2 – Importância no abastecimento de água

As Fontes de Mergulho foram durante muito tempo o único meio de abastecimento de água às populações, sobretudo nas zonas urbanas. Algumas delas, pela sua dimensão e importância dos nascentes que as alimentavam, devem ter tido um papel mais relevante, o que talvez tenha também contribuído para a sua preservação, ainda que fechadas. Outras, pelo contrário, acabaram por desaparecer à medida que as zonas urbanas das aldeias (e da própria Vila, onde nenhuma sobreviveu) se foram transformando.

Em alguns casos, as Fontes de Mergulho estavam ainda associadas a tanques para dar de beber aos animais (gado bovino e animais de carga) o que tornava o conjunto num elemento fundamental de apoio às actividades agro-pecuárias que caracterizavam as populações do concelho.

 

3 – Características e qualidade da construção

Ao nível de concepção arquitectónica existem algumas características comuns em várias Fontes de Mergulho do concelho e em certos casos estamos mesmo perante uma espécie de “modelo”, como sugerem os casos de Gebelim, Sambade e Valverde.

As construções mais simples, feitas em xisto, com uma ou várias lajes a servir de resguardo superior e uma pedra de suporte frontal, são todas muito semelhantes, identificando outro “modelo”. Encontram-se exemplos em Cabreira, Cerejais e Pombal.

Depois existem as Fontes de Mergulho de arquitectura individualizada, ou seja, exemplares únicos. Temos neste caso, por exemplo, a Fonte Limpa, em Vilarchão, a Fonte do Santo Antão da Barca e a Fonte de Vilarelhos.

A qualidade da construção é outro factor que permite distinguir estas fontes, para além de ajudar a identificar a sua importância. Algumas das fontes identificadas revelam um trabalho de construção muito cuidado, independentemente dos materiais utilizados. O exemplo maior é o da Fonte Limpa, em Vilarchão. Mas na localidade de Gouveia existiu também uma imponente Fonte de Mergulho, como se documenta mais adiante através de uma foto que felizmente chegou até aos nossos dias.

 

4 – Materiais de construção.

No concelho de Alfândega da Fé as Fontes de Mergulho são construídas em xisto ou granito, havendo alguns exemplos em que foram utilizados os dois materiais.

Sendo o granito um material de construção raro no concelho e por isso mais caro, a construção das Fontes de Mergulho totalmente em granito também ajuda a perceber a importância que lhes era dada.

Existem, de facto, alguns exemplares de fontes construídas em granito que são dignos de registo. No entanto e por estranho que pareça, das fontes ainda existentes, a que se destaca, pela sua dimensão e pelo requinte do trabalho, foi construída em xisto. Falamos, naturalmente, da Fonte Limpa, em Vilarchão.

 

IV – Notícia sobre Fontes de Mergulho existentes nas freguesias do concelho

 

Neste resumo refiro apenas as freguesias em que já efectuei a identificação de Fontes de Mergulho e delas possuo registo fotográfico. No final do texto apresenta-se uma listagem das restantes freguesias, com a indicação do número avançado pelo Padre Carvalho da Costa, devendo ter-se em consideração que esse levantamento pode não corresponder necessariamente a Fontes de Mergulho.

Para melhor comodidade de visualização, as fotos serão colocadas na Galeria de Imagens. No final deste texto existe uma hiperligação que permite aceder directamente às fotos. As respectivas legendas estão neste texto, uma vez que algumas são demasiado longas para ficarem associadas às fotos.

 

Agrobom

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 60.

Estas 60 fontes são hoje impossíveis de identificar, mas seguramente que não se tratava apenas de Fontes de Mergulho, mas de todo o tipo de fontes existentes no termo da freguesia, sendo bem possível que tenha atingido esse número, uma vez que existe abundância de água. 

Identificou-se apenas uma fonte, já bastante alterada e com poucas características de Fonte de Mergulho. Originalmente, esta Fonte de Mergulho era toda construída em granito e com grandes lajes no tecto. A pia que se encontra a seu lado, localizava-se perto de um tanque para lavar roupa, e servia para passar a roupa por água limpa. A actual reconstrução data de 1984, tendo sido revestida em cimento e colocado um gradeamento; também foram acrescentados degraus de acesso à fonte, pois originalmente apenas possuía dois.

 

(Foto fm1)

Legenda: Fonte (dos Namorados) – Agrobom

Esta é a única fonte do local, e talvez por isso não tenha qualquer nome, sendo conhecida como “A Fonte”; no entanto, se lhe tivesse sido atribuído um nome seria, segundo a população, “Fonte dos Namorados”.

 

Cerejais

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 9.

Foram identificadas cinco fontes de mergulho, todas elas em mau estado de conservação.

Três destas fontes têm características idênticas (Silveira, Carvalho e Rodo); a fonte Velha é a que apresenta maior estado de degradação e a fonte do Vinhal está praticamente soterrada, pelo que valeria a pena tentar saber se ainda conserva as características originais.

 

(Foto fm2)

Legenda: Fonte do Rodo – Cerejais

Fonte de mergulho construída em xisto, cuja água, segundo a população, era de boa qualidade. No entanto, por ser muito fria, era a causa de algumas constipações. Esta fonte era muito utilizada, havendo filas para o seu acesso.

Nesta aldeia, à pedra existente na frente das fontes de mergulho, onde roçavam os cântaros, os populares davam-lhe o nome de “Cavalo”.

 

Ferradosa

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 2.

Foi identificada uma Fonte de Mergulho que se encontra fechada e possivelmente já não tem a estrutura original. A estrutura actual é de pequena dimensão, pelo que a outra fonte identificada pelo Padre Carvalho da Costa poderia ser de maior dimensão.

Em picões também foi identificada uma fonte, mas ainda não disponho de fotografias.

 

(Foto fm3)

Legenda: Fonte Velha – Ferradosa

A fonte possui esta designação por ter sido a primeira fonte do local.

Toda construída em granito, foi posteriormente objecto de intervenção para a colocação de uma porta. A sua água era muito rica em ferro, o que implicava uma mudança de bomba com alguma frequência, quando passou a ser utilizada para abastecimento domiciliário de água.

 

Gebelim

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 7

Só foram identificadas duas fontes. A Fonte do Bairro está muito alterada e não permite garantir que seja uma fonte de mergulho. A Fonte da Lamela, pelo contrário, não deixa qualquer dúvida e ainda por cima está numa zona pública que ficaria muito beneficiada com a sua recuperação. Trata-se de uma Fonte de Mergulho com uma dimensão razoável e toda construída em granito, seguindo um modelo semelhante a fontes que se encontram em Sambade, Valverde e Vilares da Vilariça.

 

(Foto fm4)

Legenda: Fonte da Lamela – Gebelim

Fonte de mergulho, construída em granito, com um tecto em arco no seu interior. Embora me tenha sido dito que foi apenas tapada há aproximadamente 30 anos suponho que isso aconteceu também nos anos 50 ou 60 do século passado.

 

Gouveia

 

O Padre Carvalho da Costa não aponta nenhum registo de fontes para Gouveia e o certo é que actualmente parece não existir nenhuma.

No entanto, uma foto antiga a que tive acesso, por amabilidade de Alcino Vieira, Presidente da Junta de Freguesia, deixa claro que esta localidade teve uma das maiores e mais belas construções de Fontes de Mergulho do concelho, como se documenta a seguir.

Segundo a população, esta fonte assemelhava-se a uma capelinha. Era toda construída em granito e junto dela tinha um tanque para os animais e um outro para lavar a roupa.

Olhando com atenção para a foto pode ver-se que do lado esquerdo, junto ao telhado, existia um pequeno nicho onde deveria ter estado uma imagem religiosas. A cruz frontal ajuda a dar a ideia de pequena capela.

A comparação com a pessoa que está a tirar água permite ter uma ideia da dimensão desta fontes, mas ainda assim menor que a de Vilarchão. Finalmente, a foto deixa claro que o arco de entrada, ainda que de maiores proporções, é em tudo semelhante ao “modelo” referido para outras fontes existentes em Gebelim, Sambade, Vilares da Vilariça e Valverde.

Esta fonte sofreu uma profunda (e lamentável) intervenção, ao que parece com o objectivo de aumentar o caudal de água. Para isso, foi necessário aprofundá-la. No entanto, aquando da reconstrução, não foram utilizadas todas as pedras originais, tendo algumas delas sido utilizadas para sustentação dos terrenos agrícolas das imediações. Das outras pedras desconhece-se o paradeiro, nomeadamente a que mais caracterizava a fonte e que é referida como a “pedra dos sete dedos”, pois possuía uma marca parecida a uma mão com sete dedos. A foto não permite identificar esta pedra, mas pode tratar-se da base da cruz.

Na localidade anexa de Cabreira identificaram-se duas Fontes de Mergulho. A Fonte da Saúde (um nome que sugere claramente a qualidade que era atribuída à sua água) é fácil de recuperar, pois conserva a sua estrutura original. A Fonte Velha (outro nome significativo, que pode significar tratar-se da mais antiga) foi objecto de “restauro” em 1987 e ficou com o aspecto que a foto documenta. Resta saber se por de trás do muro de tijolo ficou a estrutura original, ou se retiraram também as pedras.

 

(Fotos fm5 e fm6)

Legenda: Antiga Fonte de Mergulho – Gouveia

A foto da actualidade que se apresenta ainda permite ver uma parte da antiga estrutura desta fonte. A construção recente que foi colocada no local destina-se a abrigar o motor que passou a bombear a água.

Embora fosse uma intervenção um pouco mais cara, do ponto de vista financeiro, era possível reconstruir esta fonte, sobretudo porque existe um registo fotográfico (embora com pouca qualidade) da estrutura original.

 

(Foto fm7)

Legenda: Fonte da Saúde – Cabreira

Foi-lhe atribuído este nome porque se conta que antigamente um velhinho, muito doente, não pertencente ao povoado, ia lá sempre buscar água para beber e cozinhar e, quando questionado do porquê da utilização desta fonte e não de uma mais próxima da sua localidade, este retorquia dizendo que esta lhe dava saúde.

 

(Foto fm8)

Legenda: Fonte Velha – Cabreira

Esta fonte, originalmente toda construída em xisto, sofreu uma remodelação no ano de 1987, tendo parte dela sido reconstruída em cimento. No entanto, as pedras que a edificavam ainda se encontram no local. De ambos os lados da fonte ainda são visíveis duas pedras salientes que serviam para colocar os cântaros cheios de água, para em seguida serem transportados à cabeça. Segundo a população, a água desta fonte era fria no Verão e quente no Inverno, tendo continuado a ser utilizada, mesmo aquando do primeiro abastecimento de água canalizada. No entanto, após as obras que sofreu, deixou de ser utilizada, porque se diz que adquiriu outro sabor.

 

Parada

 

O Padre Carvalho da Costa não aponta nenhum registo de fontes para Parada.

Existem notícias de duas Fontes de Mergulho, mas foram ambas cobertas com cimento, não existindo vestígios das estruturas originais.

A única Fonte de Mergulho conhecida na freguesia é a de Santo Antão da Barca, conforme se documenta.

 

(Foto fm9)

Legenda: Fonte de Santo Antão da Barca

Esta fonte de mergulho foi recentemente recuperada, tendo-se reposto algum xisto que se degradou, ou desapareceu. O seu exterior foi rebocado, mas a fachada manteve-se igual ao estado original.

De um dos lados da fonte existe uma pia que funcionava como bebedouro de animais e do outro lado foi construída uma estrutura que abrigava um motor para bombear água.

Considerando a história do local e a pouca abundância de nascentes nesta zona, é de crer que esta fonte seja bastante antiga e tenha tido uma importância fundamental, quer para a população que ali vivia, quer para aqueles que utilizavam a barca do Santo Antão para atravessar o rio Sabor.

 

Pombal

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 3. Uma delas de água quente.

É muito interessante esta alusão a uma fonte com água quente, pois pode identificar alguma espécie de termalismo.

De qualquer forma, actualmente só foi possível identificar uma fonte, junto ao pequeno ribeiro que atravessa a aldeia.

Esta fonte, construída em xisto, encontra-se razoavelmente bem conservada e o local merecia um arranjo que valorizasse este património a que, estranhamente, não tem sido dada nenhuma atenção e, no entanto, poderemos estar a falar de uma das mais antigas fontes de mergulho do concelho!

A rocha que se encontra na sua entrada revela desgaste, devido à sua utilização. No acesso à fonte existia uma rocha onde se pousavam os cântaros, no qual são visíveis as marcas deixadas por estes. Na altura de escassez de água era necessário entrar na fonte para que, com o auxílio de um púcaro, se conseguisse encher os cântaros com a água que se acumulava na “fontelinha” (cova existente no interior da fonte).

 

(Foto fm10)

Legenda: Fonte de Mergulho – Pombal

Esta foto já foi tirada há uns anos. A cinza que se vê à direita parece ter sido da fogueira que ali se fez para aquecer um pote de fabrico artesanal de aguardente, utilizando-se a água da fonte para este processo de destilação.

 

Sambade

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 16.

Em Sambade estão identificadas várias fontes, ainda que algumas já sem grandes hipóteses de restauro, pois foram muito alteradas.

A “Fonte da Toutela” é a que conserva ainda as características originais e, por isso, a que deve ser recuperada em primeiro lugar.

As outras fontes designam-se “Fonte do Bairro do Meio”, “Fonte da Carrasca”, “Fonte da Oleira” e “Fonte do Canto do Bairrinho”.

Na aldeia anexa de Covelas também foram identificadas três fontes: “Fonte dos Casais”, “Fonte da Lamela” e “Fonte da Santa”, mas as duas primeiras estão bastante alteradas. A “Fonte da Santa” tem a característica particular de ter sido construído apenas com meio arco, como a foto documenta.

 

(Foto fm11)

Legenda: Fonte da Toutela – Sambade

Fonte de mergulho construída em granito e actualmente fechada.

Como já referi, esta fonte obedece a um “modelo” de construção que se encontra representado noutras localidades do concelho.

(Foto fm12)

Legenda: Fonte da Santa – Covelas

Foi-lhe atribuído este nome, por esta se localizar perto da capela da Nossa Sra. das Neves. Actualmente encontra-se na escarpa do ribeiro que corria ao seu lado, pois a configuração do terreno foi alterada.

 

Soeima

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 20.

Soeima possui uma das mais bonitas e antigas Fontes de Mergulho do concelho, a “Fonte do Souto”. A característica gótica do arco de entrada, construído em granito, numa zona onde ele não existe, sustenta esta minha opinião.

Curiosamente, a técnica de construção é semelhante a outras fontes existentes no concelho, mas o arco de entrada não é semi-circular.

Para além desta fonte existe uma outra, a “Fonte do Teixeira ou do Bairro da Igreja” construída em granito, com uma laje de xisto no tecto.

 

(Foto fm14)

Legenda: Fonte do Souto – Soeima

 

Valverde

O Padre Carvalho da Costa refere apenas que existia uma “fonte santa”.

Desconhecemos se aquela referência diz respeito à fonte hoje conhecida como “Fonte do Prado” e que, indiscutivelmente, é uma Fonte de Mergulho.

A “Fonte do Prado” foi objecto de restauro há uns anos, de que resultou o actual aspecto. A intenção foi boa, mas foram acrescentados alguns elementos envolventes que não se adequam ao espaço e a pedra frontal de apoio parece não ser a original, uma vez que não apresenta qualquer desgaste derivado do uso que a fonte teve ao longo dos tempos.

 

(Fotos fm15)

Legenda; Fonte do Prado – Valverde

As duas fotos (antes e depois da intervenção) permitem verificar as alterações introduzidas.

 

Vilarchão

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 4.

Considerando a dimensão desta aldeia e comparando com o número de fontes identificadas para outras localidades bem mais pequenas, pode-se deduzir que esta não era uma zona com grande abundância de água.

Foram identificadas várias fontes, mas actualmente, como Fonte de Mergulho considera-se apenas a “Fonte Limpa”, um exemplar excepcional, de dimensões fora do vulgar e com uma excelente arquitectura oitocentista, completamente executada em xisto.

 

(Fotos fm18 e fm19)

Legenda: Fonte Limpa – Vilarchão

Fonte de Mergulho construída em 1796, em estilo barroco. Trata-se da maior e mais rica construção deste tipo existente no concelho. Tem a particularidade de ter sido integralmente construída em xisto, que pelo trabalho esmerado mais parece granito, “enganando” os visitantes menos atentos. A água desta fonte continua a ser utilizada apesar de a localidade já possuir abastecimento domiciliário com água tratada.

A “Fonte Limpa” foi objecto de uma recente e oportuna intervenção de conservação e restauro, iniciativa da Câmara Municipal, pois o interior apresentava já graves indícios de ruína.

Vilarelhos

 

O Padre Carvalho da Costa não identifica nenhuma fonte para esta localidade.

A única fonte identificada actualmente localiza-se no centro da aldeia, no largo do edifício que serve actualmente de sede da Junta de Freguesia. Trata-se de uma construção completamente diferente de todas as outras Fontes de Mergulho existentes no concelho; pessoalmente suponho que seja contemporânea do edifício que está ao lado (actual sede da Junta de Freguesia) e que foi uma antiga capela, ou talvez mesmo uma igreja matriz, antes de existir a actual. Se assim for, esta fonte é mais antiga do que a sua estrutura aparenta, mas só uma observação mais detalhada poderá vir a confirmar esta hipótese.

 

(Foto fm20)

Legenda: Fonte de Mergulho – Vilarelhos

Esta fonte, construída em granito, encontra-se há muito tempo sem água, razão pela qual não deve ter sido fechada, como aconteceu a muitas outras.

 

Vilares da Vilariça

 

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 4.

Destas quatro fontes, foi possível identificar duas delas, que se encontram em razoável estado de conservação, embora ambas tapadas.

Na localidade de Colmeais, aldeia anexa desta Freguesia, foi também identificada uma pequena mas bonita Fonte de Mergulho, conhecida por “Fonte da Laje”, por se localizar junto a uma antiga eira comunitária, construída com lajes de granito e conhecida por “Eira da Laje”. Todo este espaço foi recentemente recuperado por iniciativa da Câmara Municipal.

 

(Foto fm21)  

Legenda: Fonte de S. Roque – Vilares da Vilariça

Esta fonte, em granito, localiza-se no vão de uma escada, que serve de acesso ao interior de uma casa que foi construída onde anteriormente estava uma capela. Daí, certamente, o nome da fonte.

 

(Foto fm22)

Legenda: Fonte da Fontareja – Vilares da Vilariça

Esta era a fonte principal de Vilares da Vilariça.

Segundo os populares, as pessoas que bebiam desta fonte ficavam com os dentes castanhos, devido ao teor de flúor que a sua água possuía, pois “comia” o esmalte dos dentes definitivos das crianças.

Quando se procedeu à canalização da rede pública, esta fonte foi fechada e as gerações seguintes já não apresentam esta coloração nos dentes.

 

(Fotos fm23 e fm24)

Legenda: Fonte da Laje – Colmeais

Tem este nome porque se encontra na chamada Eira das Lajes, que era um local onde o povo malhava o pão. Exceptuando a pintura, que acabará por escurecer, este espaço ficou agradável e com acesso às pessoas interessadas numa visita. A árvore que cresceu junto à fonte não foi retirada, para não se danificar a estrutura, mas o mais certo é que essa operação tenha de se efectuar, pois a raízes acabarão por causar danos que podem ser irremediáveis.

 

V – Alguns registos das restantes freguesias

 

Alfândega da Fé

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 16

Não foi identificada nenhuma Fonte de Mergulho dentro da zona urbana.

O número apontado pelo Padre Carvalho da Costa deve incluir fontes como as da Canelha de Vilarelhos e Alfândeguinha, as quais, apesar da sua importância estratégica e da sua característica rural, ainda não estão confirmadas como antigas Fontes de Mergulho.

A zona urbana de Alfândega da Fé já foi suficientemente pesquisada e não se encontrou qualquer indício de Fontes de Mergulho, embora seja quase impossível admitir que não tenham existido. 

 

Eucísia

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 12.

Actualmente ainda não foi identificada nenhuma Fonte de Mergulho na zona urbana. A chamada “Fonte da Gricha” não é de mergulho, mas trata-se de um local interessante, que merece uma visita.

 

Saldonha

O Padre Carvalho da Costa não aponta qualquer registo de fontes.

Existe uma fonte, designada “Fonte Velha”, por ser muito antiga. Originalmente, era toda construída em granito, possuindo umas escadas que davam acesso a um “buraco”, onde actualmente se localiza uma estrutura em cimento construída para abrigar uma bomba eléctrica. Anteriormente já tinha sido colocada uma bomba manual, da qual apenas resta a estrutura de apoio.

Ainda não disponho de registo fotográfico desta fonte.

 

Sendim da Ribeira

Fontes identificadas pelo Padre Carvalho da Costa: 3.

Em Sendim da Ribeira foram identificadas duas fontes, designadas “Fonte da Ribeira” e “Fonte da Laje”, ambas muito alteradas e das quais não disponho ainda de registo fotográfico.

Não possuo igualmente registo fotográfico da “Fonte do Vale do Seixo”, em Sardão, uma aldeia anexa da Freguesia de Sendim da Ribeira.

 

Sendim da Serra

O Padre Carvalho da Costa não aponta qualquer registo de fontes.

Actualmente ainda não foi identificada nenhuma Fonte de Mergulho

 

Vales

O Padre Carvalho da Costa não aponta qualquer registo de fontes.

Actualmente ainda não foi identificada nenhuma Fonte de Mergulho

 

Valpereiro

O Padre Carvalho da Costa não aponta qualquer registo de fontes.

Actualmente ainda não foi identificada nenhuma Fonte de Mergulho

 

Para aceder directamente às fotos clique aqui.

 

F. Lopes, 24 de Junho de 2007

 
Copyright © 2019 Resistir no Nordeste. Todos os direitos reservados.
Joomla! é um Software Livre sob licença GNU/GPL.
 

Mensagens

 

ENTRUDO

2017

 

28 DE FEVEREIRO

ALFÂNDEGA DA FÉ

As fotos do Site

1serraborne...
Image Detail

Visitas desde 2005

Visualizações de conteúdos : 678086
Barragem do Baixo Sabor: o que pode melhorar?