Entrada

Novidades do site

A Escola em fotos

Galeria de imagens

PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

JOSÉ DIAS COELHO

Notícia sobre dois trabalhos que se encontram em Alfândega da Fé

 

O que é que José Dias Coelho tem a ver com Alfândega da Fé? Aparentemente, nada. Embora sendo natural de Pinhel, uma cidade do distrito da Guarda que não fica muito longe, é bem provável que José Dias Coelho nunca tenha estado por estas paragens, mas é mais do que certo que alguma vez (ou várias) tenha ouvido falar desta terra.

 

Mas comecemos por uma breve apresentação de José Dias Coelho: nasceu em Pinhel, no ano de 1923 e durante alguns anos conheceu várias residências, devido à profissão do seu pai, que era Escrivão de Direito; a partir de 1938 passa a residir em Lisboa, por onde fará o essencial do seu percurso de vida; no plano artístico distinguiu-se como uma das figuras mais promissoras do seu tempo, quer na escultura, quer na pintura, ou ainda no desenho e na gravura; mas acabaria por sacrificar tudo isso em nome da acção política contra a ditadura de Salazar, tendo mesmo decidido enveredar pela clandestinidade (1955) numa época em que era já um destacado militante comunista (PCP) juntamente com a sua companheira, Margarida Tengarrinha.

Foi assassinado pela PIDE em 19 de Dezembro de 1961.

Pessoalmente, conheço alguns aspectos da história de Dias Coelho desde os primeiros anos após o 25 de Abril; os seus trabalhos, sobretudo as gravuras, tiveram alguma divulgação nessa época e é possível que hoje muita gente tenha deles uma memória visual, ainda que desconheça o seu autor, como acontece com os dois exemplos que coloco no final. Aliás, como afirmou José Augusto França «Não chegou a adquirir fama o nome de José Dias Coelho […] e as histórias da arte, se não forem muito minuciosas, ignorá-lo-ão» (J-A França, Diário de Lisboa de 04-02-1977), citado em "Júlia Coutinho - JOSÉ DIAS COELHO. A COERÊNCIA DO SER E DO FAZER" (in http://estudossobrecomunismo.weblog.com.pt/)

Há uns anos, numa conversa ocasional, fiquei a saber que existiam em Alfândega da Fé dois trabalhos de José Dias Coelho, pertença do Dr. João José Pessoa Trigo, já falecido e que foi Presidente da Câmara Municipal entre 1959 e 1971, portanto ainda durante o regime de Salazar e depois de Marcelo Caetano.

Mais recentemente pude observar esses trabalhos, embora não me seja possível (nem sei se virá a ser…) estabelecer correctamente a ligação que existiu entre estas duas pessoas. Uma coisa é certa: os trabalhos são originais e ambos têm a pessoa do Dr. João Trigo como tema, em momentos distintos. Um destes trabalhos é uma caricatura e foi publicada num livro de fim de curso, mas o outro é um retrato e não deve ser do conhecimento das pessoas que têm trabalhado em torno da biografia de José Dias Coelho.

Pelo que pude apurar junto da família do Dr. João Trigo, o mais certo é que ele e Dias Coelho se tenham conhecido no Liceu Gil Vicente, em Lisboa, estabelecimento de ensino que ambos frequentaram. Mas José Dias Coelho terminou o Curso Geral dos Liceus em 1941, matriculando-se depois no INEF (Instituto Nacional de Educação Física) ao mesmo tempo que inicia a sua aprendizagem no campo das artes, vindo a matricular-se na EBAL (Escola de Belas-Artes de Lisboa) em 1942, tendo neste mesmo ano iniciado o seu percurso partidário, ligado à Federação das Juventudes Comunistas. João Trigo, por sua vez, seguiu o curso de veterinária.

Estes dois trabalhos de José Dias Coelho estão datados de 1945 (o retrato) e de 1947 (a caricatura).

O retrato, dedicado “Ao camarada João Trigo com um abraço de amizade”, tem a indicação de ter sido feito em Mafra, em Setembro de 1945. Seguramente que na altura estariam ambos no serviço militar, mas o que se infere da biografia de Dias Coelho (ver em http://estudossobrecomu nismo2.wordpress.com/) é que ele terá ido para Tancos e não para Mafra. Também pode acontecer que o conhecimento entre ambos se tenha dado apenas neste período de cumprimento do serviço militar. Se assim foi, a amizade continuou, pelo menos até 1947, data do segundo trabalho e que é uma caricatura de fim de curso do Dr. João Trigo. Curiosamente, a biografia atrás referida só coloca em 1949 o ano em que Dias Coelho terá começado a fazer caricaturas para ilustrar os livros de final do curso de diversas Faculdades. A caricatura que executou para o Dr. João Trigo antecipa em dois anos essa realidade!

Ora, esta caricatura de 1947 tem uma dedicatória que revela a continuidade da amizade entre Dias Coelho e João Trigo: Com um grande abraço do sempre amigo – José Dias Coelho – 1947”. De alguma forma ambos manteriam este contacto e, no entanto, Dias Coelho era já uma figura intensamente envolvida na luta política contra o regime. Basta dizer que em 1946 havia sido criado o MUD Juvenil no qual militou desde a primeira hora, tendo sido líder da Comissão de Escola do MUD Juvenil da EBAL.

Desconheço a posição que nessa época teria o Dr. João Trigo em relação ao regime de Salazar e se, mantendo esta relação de amizade com José Dias Coelho, acabou por conviver com outros nomes da época, nomeadamente os que mais se destacaram na EBAL. Uma coisa parece certa, num olhar à distância e sem qualquer juízo de valor: a partir daí os dois amigos seguiram rumos completamente opostos.

Este breve registo, destina-se, por isso, a não deixar que se perca o conhecimento da existência destes dois trabalhos de José Dias Coelho, com muita pena minha pelo facto de não ter tido a oportunidade de assegurar um registo mais fidedigno sobre o assunto, junto do próprio Dr. João Trigo.

O meu agradecimento ao filho, João Carlos Trigo, que facultou as obras e deu algumas informações que ajudaram a construir este texto.

 

 

F. Lopes, 29 de Janeiro de 2007

 

 
Copyright © 2019 Resistir no Nordeste. Todos os direitos reservados.
Joomla! é um Software Livre sob licença GNU/GPL.
 

Mensagens

 

ENTRUDO

2017

 

28 DE FEVEREIRO

ALFÂNDEGA DA FÉ

As fotos do Site

carnaval_20...
Image Detail

Visitas desde 2005

Visualizações de conteúdos : 678075
Barragem do Baixo Sabor: o que pode melhorar?