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Alfândega da Fé de outros tempos – 1

 

 

Aqui vão as fotografias antigas (algumas nem tanto...) que prometi.

Infelizmente, não disponho de datas precisas para a maior parte delas. Mas quem conheça Alfândega da Fé notará certamente a diferença. Os que não conhecem esta terra nordestina ficam aqui com um bom motivo para vir até cá confirmar essas diferenças!

Esta colecção de fotografias abrange várias décadas do século passado. Para ser mais concreto, entre o final da década de 20 e a década de 70, com duas excepções, já da década de 90: o testemunho da demolição do quartel dos Bombeiros Voluntários e a Rua 13 de Janeiro, onde se localizava a casa dos Távoras.

De toda a colecção, da minha autoria são apenas quatro fotografias. As restantes foram-me facultadas para digitalização, ou oferecidas por várias pessoas, ao longo de quase um quarto de século que levo a dedicar-me às questões do património deste meu concelho.

Quero aqui prestar a minha gratidão a duas destas pessoas: à Dª Cecília Amaral (uma "jovem" amiga já entrada nos oitenta e que é um poço sem fundo das estória da nossa terra) que entre muitas coisas me facultou a foto mais antiga do “Prado da Vila” e a da “Casa dos Távora” (a família foi proprietária desta casa); à Dª Maria do Carmo Trigo, outra amiga que ainda hoje tive o prazer de cumprimentar e entre outros exemplos me possibilitou o acesso às obras e a algumas fotografias do maior animador cultural de Alfândega da Fé no século XX, o Dr. Manuel Vicente Faria, que foi seu padrinho de baptismo. Em abono da verdade, acrescente-se que o Dr. Faria teve, no seu tempo áureo, um grande apoio de várias figuras locais igualmente amantes da animação cultural, como João Baptista de Campos, Horácio de Campos, João Silva e António Silva, por exemplo e teve depois continuadores, como João Afonso e Manuel Cordeiro.

De igual forma, quero também prestar aqui a minha homenagem a outro ilustre cidadão desta terra e do país, bem conhecido de todos os Bombeiros Voluntários, falecido muito recentemente e que também me facultou, ainda no Verão passado, algumas fotografias importantes, a maior parte das quais não vai ser editada neste Blog (pelo menos para já) porque farão parte de um trabalho que eu já vinha escrevendo sobre a vida deste homem e que espero possa ser publicado ainda em 2006. Refiro-me, evidentemente, ao Comandante Jeremias Clemente Ferreira, uma personalidade cuja vida pessoal contém facetas de glória, mas também de contestação e que, entre outros aspectos pouco conhecidos, também passou pela música, tendo participado naquele que eu considero ter sido o primeiro grupo musical organizado da nossa terra, ao qual os próprios chamaram apenas “filarmónica”.

Foi pelas mãos do Comandante Jeremias que eu recebi a confirmação de uma notícia que conhecia desde garoto e sempre me fascinou e fez entrar no mundo da imaginação: a queda de um avião em Alfândega da Fé, durante a “guerra”.

Feitos os esclarecimentos e agradecimentos…

…VAMOS ENTÃO ÀS FOTOS!

FOTOS 1A e 1B – Edifício da Cadeia.

A primeira foto mostra o edifício que existiu no actual largo de S. Sebastião, ou na Praça do Município, uma vez que estes dois espaços urbanos são contíguos, sem casas a fazer a separação entre ambos.

A existência deste edifício, desde a sua construção até à demolição, está intimamente relacionada com a história política da Vila. Não cabe aqui contar pormenores, mas sempre diremos que o projecto foi aprovado em 1871 e destinava-se à construção de um edifício para “cadeia, tribunal e administração no concelho e julgado de Alfândega da Fé”, sendo o orçamento de “três contos oitocentos e noventa e um mil e noventa e cinco reis”, um número gigantesco para a época, que obrigou a Câmara a fazer um empréstimo que demorou cerca de vinte anos a pagar!

Contudo, uma comparação mais atenta entre o projecto inicial (foto1B) e esta fotografia dá para perceber que o que foi construído não corresponde ao que foi projectado. Outra história para contar, assim como as circunstâncias que levaram à sua demolição.

FOTO 2 – Transportes públicos.

Aqui está uma pequena maravilha automóvel. É pena que ninguém tenha sido capaz de conservar este belo exemplar. Os transportes públicos constituem uma faceta da história contemporânea de Alfândega da Fé que poucos conhecem. Se não estou em erro, foi neste concelho que se criaram as duas primeiras empresas de transportes públicos do distrito de Bragança. Uma delas, a “Empresa Alfândeguense”, fundada em 1920, ainda existe, embora tenha sido comprada pela “Empresa Santos”, de Freixo de Espada à Cinta.

FOTO 3 – A Rua do Centro.

Era assim que se chamava a actual Rua Camilo Mendonça. Esta fotografia deve ser de princípios da década de sessenta, pois já aparece o edifício conhecido por “Centro Comercial”, nome que lhe vinha da sociedade que o construiu e da qual era sócio o Sr. Jeremias Ferreira. Repare-se na calçada à portuguesa, que existia em todas as ruas da Vila antiga.

FOTO 4 – A actual Avenida Dr. Ricardo de Almeida.

Nesta foto, tirada num dia de neve, nota-se perfeitamente que não existem casas. A foto está tirada no sentido nascente poente. Do lado direito ficava o muro da propriedade da casa Júlio Pereira (onde viveu o Dr. Manuel Faria), também conhecida por “Casa Grande” e cujo torreão se vê lá ao fundo. Do lado esquerdo já existia o Jardim Municipal e ao fundo, do mesmo lado, a Câmara Municipal. As casas que existem actualmente só começaram a construir-se no início dos anos setenta.

FOTO 5A a 5D – Bombeiros Voluntários.

A Corporação dos Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé foi fundada em 1933. Durante muito tempo ou não teve quartel, ou possuía umas instalações muito precárias na actual rua de S. João de Deus. Este conjunto de fotos vai desde esses primeiros tempos (5A) passando pelo início da construção da casa de espectáculos idealizada pelo Dr. Manuel Faria (5B) cujas obras seriam concluídas já com a intenção de ser Quartel dos Bombeiros (5C) e finalmente, já nos anos 90, a demolição do edifício (5D) para construir o actual Centro Cultural Mestre José Rodrigues, numa altura em que já estava a funcionar o novo Quartel, situado a cerca de duzentos metros.

FOTOS 6 e 7 – Largo de S. Sebastião.

Estas fotos, tiradas num dia de neve, como outras que integram esta colecção (e possivelmente do mesmo ano) mostram como era o actual Largo de S. Sebastião.

Na foto 6 - O conjunto de casas do lado direito ainda existe, mas já com muitas transformações. Do lado esquerdo, aparece apenas uma casa que ainda existe e não foi alterada. O quartel dos Bombeiros ainda não tinha sido construído e a antiga Cadeia, que se localizava antes do edifício que aparece, já tinha sido demolida. Isto significa que a fotografia foi tirada antes da década de cinquenta.

Ao fundo, a capela de S. Sebastião, uma construção do século XVI. Durante muito tempo foi conhecida por “ermida” de S. Sebastião porque, efectivamente, ficava fora da zona urbana da Vila e até tinha um muro em toda a volta, como se mostra mais adiante na imagem de um postal. Só a partir do início do século XX é que as casas chegaram a esta zona e a “ermida” foi sendo integrada na zona urbana.

Na foto 7 – É mais visível o lado direito do actual largo, o que permite comparar com a actualidade. O primeiro edifício, à direita, é a “Casa do Capitão Mendonça”, uma personalidade local que foi presidente da Câmara Municipal e a pessoa que mandou demolir a antiga Cadeia. A construção inicial deste edifício é do século XIX e foi pertença do Visconde de Valpereiro.

FOTOS 8 e 9 – O antigo Prado da Vila.

A foto 8 dá-nos uma interessante visão daquilo que era o Prado da Vila, um espaço público que tinha tanques para lavar a roupa, uma fonte para água doméstica e um tanque para os animais, para além de um amplo espaço com muitas sombras, onde a população da Vila costumava passar os fins-de-tarde, sobretudo no Verão. Na parte esquerda da fotografia é visível uma pequena parte de uma casa. Tratava-se da Central Eléctrica e Elevatória, cuja planta aparece na foto 9.

Alfândega da Fé foi das primeiras vilas do distrito a ter energia eléctrica pública e domiciliária; foi também das primeiras, ou mesmo a primeira sede de concelho do distrito a ter abastecimento de água domiciliária e rede de esgotos com uma estação de tratamento (as “Fossas”, que ainda hoje existem, mas estão desactivadas e foram substituídas o ano passado por uma nova ETAR). A foto 9 refere-se exactamente ao edifício onde se implantaram os equipamentos para a produção de energia eléctrica e para as bombas que faziam a elevação da água até ao depósito do Castelo.

FOTOS 10 e 11 – A Praça do Município.

À primeira vista estas fotos parecem da mesma época. Mas não é bem assim. A foto 10 é muito mais antiga. Dois pormenores comprovam a diferença: o edifício da Câmara Municipal ainda não tinha sido ampliado e a actual casa conhecida como “do Mário Almeida”, ainda não tinha sido construída. O tamanho das árvores também dá para notar a diferença, o mesmo acontecendo com o Jardim Municipal, que possivelmente na primeira foto se resumia a um conjunto desordenado de árvores e na segunda (ver com atenção a parte direita da fotografia) aparece já com uma sebe a fazer o limite com a estrada. Estas fotos não permitem ver, mas nas originais isso é evidente, que o marco público da água aparece na foto 10 em plena Praça e já não aparece na foto 11, tendo sido deslocado para a entrada do jardim. Em ambas as fotos já aparece a “Casa Grande”, que foi construída entre 1910 e 1920.

FOTOS 12 e 13 – Rua 13 de Janeiro.

Este elemento da toponímia Alfândeguense, Rua 13 de Janeiro, já vem do período da 1ª República e recorda uma data importante: depois de extinto em 1895, o concelho foi novamente restaurado por decreto de 13 de Janeiro de 1898. Aqui ficava a casa dos Távoras, certamente construída muito antes de todos estes acontecimentos, até porque, como é sabido, esta família foi praticamente dizimada pelo Marquês de Pombal, na sequência da (suposta?) tentativa de regicídio na noite de 3 de Setembro de 1858, pelo que a construção da casa é, pelo menos, anterior a esses acontecimentos. Na minha opinião é mesmo muito mais anterior, pelo que a seguir digo sobre o campanário da capela.

A foto 12 mostra, em primeiro plano, a porta de entrada da capela e pensa-se que o campanário original é o que se encontra actualmente na Capela de S. Sebastião, um excelente trabalho em granito que na minha opinião faz a transição entre o estilo manuelino e a novidade barroca, ou seja, século XVII.

A foto 13 mostra a mesma casa (ou melhor dizendo, as várias casas que ali surgiram, destruindo completamente a anterior) mais uma parte do terreno (quintal) que lhe ficava anexo e em cuja entrada figurava o portal que agora se pode ver na casa que foi do Visconde de Valpereiro (actualmente conhecida por “casa do Capitão Mendonça”).

FOTO 14 – Projecto de distribuição de água à Vila.

Trata-se da digitalização de uma fotografia do “Projecto de distribuição de água” domiciliária e pública a Alfândega da Fé, datada de 1929. O original tem apenas 13,5 X 8,5 centímetros, o que torna quase impossível ler os pormenores do texto. Mesmo assim, podem tirar-se algumas conclusões. Por exemplo, existiram na Vila oito marcos fontanários (Misericórdia, Relógio, Adro, Portela, Carreira da Bola, Fraguinhas, Fundo da Vila e Lagar, para utilizar topónimos da época); o projecto já identifica o Hospital (da Misericórdia); ainda existia a antiga Cadeia (está assinalada com a indicação GNR) e no Prado, assinala-se um chafariz que não aparece na foto 8

FOTOS 15A a 15D – Procissões na Vila.

Todas estas fotos mostram procissões realizadas na Vila. Podem não ser todas do mesmo ano, mas são antigas. Observam-se dois ou três pormenores curiosos. Por exemplo, na foto 15A, a seguir à banda de música vem o Corpo Legionário! A foto 15B mostra que a casa do “Centro Comercial” ainda não existia; a foto 15D dá um pormenor interessante do “fundo da vila”, sendo bem visíveis os arcos típicos da festa de S. Sebastião.

FOTO 16 – A queda de um avião em Alfândega da Fé.

Contavam as pessoas mais velhas, quando eu era garoto, que durante a “guerra” tinha caído um avião nas aradas do Valtelheiro. Andei anos para tirar esta história “a limpo”, pois desconheço qualquer documento local que mencione o facto. Aí está a prova. A “guerra” era a 2ª Guerra Mundial, pois a foto é de 1940 (sem margem para engano, pois a data foi escrita no original pelo próprio fotógrafo, que foi o Sr. Jeremias Ferreira!). O avião não parece ser de combate, talvez apenas de reconhecimento, mas pertencia aos “aliados”. Não se sabe mais nada, inclusive do destino do piloto, que saiu ileso desta queda, um autêntico “capotanço” num terreno lavrado, sendo bem visível que o aparelho não ficou muito danificado. Este episódio constituiu um verdadeiro acontecimento na Vila e deu origem, durante alguns dias, a uma autêntica romaria, para ver de perto tão estranho visitante. Imagine-se quantos aviões cruzariam os céus de Alfândega da Fé nesse tempo, para se perceber a curiosidade da nossa gente de então!

FOTO 17 – O Grémio da lavoura.

Esta imagem foi tirada de uma colecção de postais editada em finais da década de 70, pela casa comercial “Carlos Araújo”, mas a fotografia, propriamente dita, deve ter sido tirada em 1974/75, a partir do Valtelheiro, quando a zona ainda não era um bairro habitacional. O “Grémio” (edifício em primeiro plano) começou a construir-se por volta do ano de 1970, associado à criação da Cooperativa Agrícola, iniciativa do Engenheiro Camilo de Mendonça, assim como a barragem da Esteveínha (não há maneira de o pessoal escrever correctamente este nome tão bonito…). Os terrenos agrícolas que ficam em frente ao Grémio estão agora ocupados pela Escola EB 2,3/S, Mercado Municipal, Espaço da Feira e Biblioteca Municipal.

FOTO 18 – Actual avenida Dr. Francisco António Pereira de Lemos.

Trata-se da construção das primeiras bombas de combustível em Alfândega da Fé. Desconheço a data (talvez década de sessenta) mas só foram desactivadas já na década de noventa. Ainda existia o “Celeiro”, mas estava por construir a residencial “Ovimar”.

FOTOS 19 A 24 – Colecção de Postais.

Este conjunto de imagens foi obtido a partir de uma colecção de postais que deve datar de finais dos anos 20, princípio dos anos 30). A qualidade das imagens deixa muito a desejar mas, mesmo assim, entendi que tinham algum interesse.

A foto 19 mostra uma panorâmica geral da vila tirada a partir da “quinta nova”. Só quem conheça muito bem e há muito tempo esta terra poderá apreciar a imagem, por isso não vale a pena fazer mais descrições.

A foto 20 é um testemunho importante: para além das pessoas, do vestuário, dos modos de vida e da Feira, à direita é bem visível o aspecto do actual edifício da Câmara Municipal antes de ser ampliado. À esquerda nota-se ainda uma parte de outro edifício, que pela sua proximidade com a estrada só pode ser o da antiga Cadeia.

A foto 21 mostra mais um ângulo do Prado da Vila.

A foto 22 apresenta a Igreja matriz, notando-se do lado esquerdo o muro que cercava o antigo cemitério.

A foto 23 documenta bem a actual capela de S. Sebastião, ainda com o muro e o portão de entrada, uma autêntica ermida!

A foto 24, finalmente, apresenta a entrada do cemitério actual. Os enterramentos fizeram-se, como era hábito, dentro da igreja e possivelmente a partir de meados do século XIX passaram para o exterior, mas num terreno anexo à própria igreja. O actual cemitério, que entretanto também já foi ampliado, prevendo-se nova ampliação muito brevemente (o que não é lá grande sinal…) foi projectado em 1882 e construído logo no ano seguinte. A obra, incluiu também a estrada de ligação à igreja (uns duzentos metros) que era por onde seguia o antigo caminho que ligava a Vila a Sambade.

FOTOS 25 A 28 – Animação cultural.

As fotos 25, 26 e 27 relacionam-se com animações teatrais ensaiadas pelo Dr. Faria. Na foto 25 o grupo que apresentou a peça “As pupilas do Sr. Reitor”. As fotos 26 e 27 mostram cenas da revista “Ao de leve”, um texto da autoria do Dr. Faria apresentado em 1939.

A foto 27 documenta um teatro de rua realizado na localidade de Cerejais.

A razão de apresentar estas fotografias é muito simples. Elas provam que o gosto pelo teatro popular é muito antigo neste concelho. Haja quem lhe dê vida outra vez, que é o que se espera do recém-criado grupo de teatro “Alcatruz”.

Assim termino esta “ronda” pelo passado mais ou menos recente de Alfândega da Fé. Há medida que forem surgindo outras fotos aqui as apresentarei, ficando mais uma vez a aguardar por sugestões e contributos para melhorar este trabalho.

VEJA AS FOTOS NA GALERIA DE IMAGENS EM "ALFÂNDEGA DA FÉ-OUTROS TEMPOS", OU CLIQUE AQUI PARA ACEDER DIRECTAMENTE E DEPOIS ESCOLHA O GRUPO DE FOTOS "Alfândega da Fé de outros tempos - 1".

F. Lopes

6 de Janeiro de 2006

 
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