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Alfândega da Fé de outros tempos – 2

 

Apresento hoje mais um grupo de fotografias. Algumas continuam a ser muito antigas, mas outras são mais recentes, quase todas já tiradas por mim, mas retratando aspectos que, ou já não existem, ou se existem estão muito alterados. Foi por essa razão que entendi que também poderiam ter algum interesse. Inclui também três fotografias ainda mais recentes para documentar melhor a parte relativa às actividades do mundo rural.

Fiquei indeciso quanto à ordem de apresentação deste grupo de fotografias, pois os temas são muito variados e as épocas que retratam vão dos anos 30 aos anos 90 do século XX. Optei por seguir uma apresentação temática e dentro de cada tema a ordem cronológica. Vamos lá ver se foi a melhor opção.

PATRIMÓNIO

O estudo do património recente faz-se muitas vezes graças aos registos fotográficos. O que aqui fica são apenas alguns exemplos.

FOTO 1 – Escola primária de Parada – 1936

Naturalmente que esta escola já não existe! O actual edifício é bem mais recente e moderno (anos 50), mas há um dado curioso que pode estar relacionado com esta antiga escola: no século XIX o salário do professor da escola primária chegou a ser pago pela Confraria do Santo Antão da Barca. Isto no tempo em que havia mais alunos do que escolas, em perfeito contraste com os tempos que correm…

FOTO 2 – Grupo de amigos na Fonte de Covelas – 1952

Esta fonte já não existe, o que é pena. Localizava-se junto do Santuário de Nossa Senhora das Neves, mas desconheço quando foi destruída e porque razão. A própria fotografia permite a identificação do local, pois ainda existem as ruínas da pequena construção que se vê na encosta, atrás da fonte. Resta dizer que uma das pessoas na fotografia (terceiro a contar da direita) é o Dr. Mário Miranda (1902-1974).

FOTO 3 – Antiga capela de Gebelim – 1978

FOTO 4 – Alguns dos granitos da antiga capela de Gebelim – 1992

FOTO 5 – Capela/Nicho de Gebelim - 1979

Esta capela foi destruída por volta de 1980, com o objectivo de permitir a passagem de carros no centro da aldeia de Gebelim. Se fosse hoje talvez se tivesse encontrado melhor solução para resolver esse problema. Agora não há nada a fazer. O problema é que os granitos desta capela foram levados para o largo junto ao Santuário de S. Bernardino, na mesma localidade e suponho que acabaram por desaparecer. A foto 4 mostra parte desses granitos, fotografados em 1992, quando alguns já tinham desaparecido.

A foto 5 é ainda sobre Gebelim. Não encontrei o original e tive de fazer cópia a partir de uma revista da Comissão de Festas do Mártir S. Sebastião de 1990, na qual publiquei um texto com o título “A propósito da nossa terra – Uma carta aos Alfândeguenses”, cujo tema era, precisamente, a preservação do património. Esta capela/nicho foi destruída aquando da construção da estrada que liga Gebelim ao Santuário de S. Bernardino e no seu lugar foi construída uma idêntica, mas com blocos!

FOTO 6 – Ponte do Arquinho – 1980

A ponte do Arquinho e a de Zacarias constituíam duas importantes estruturas no caminho que ligava Alfândega da Fé às terras de Castro Vicente e depois dava acesso para a zona de Mogadouro. A construção deve ser do século XVI-XVII, certamente a mando dos Távoras, já que a actual quinta de Zacarias (outrora uma localidade) lhes pertenceu. A ponte ainda existe, mas as guardas de granito que se vêem na fotografia já caíram e também desapareceu o empedrado do tabuleiro, estando a estrutura principal do arco à mostra, o que torna a travessia um perigo, sobretudo se for efectuada com uma viatura.

FOTO 7 – IGREJA DE ZACARIAS – 1990

As ruínas da igreja são o que resta da antiga povoação de Zacarias. Com uma diferença em relação a esta fotografia: o campanário e quase metade da fachada também já caíram! O que agora ali existe é um monte de pedras que já dificilmente deixa perceber que se tratava de uma igreja. Restam estas memórias fotográficas.

FOTO 8 – Casa do Ermitão do Santo Antão da Barca – 1990

Num outro texto deste blog existem alguns dados e mais fotografias sobre o Santo Antão da Barca. Esta fotografia já a encontrei depois de editado aquele texto e mostra como era a construção antiga junto da capela, conhecida como Casa do Ermitão. Também já nada disto existe, pois foi feita uma intervenção que alterou completamente esta arquitectura que, como a foto mostra, também já não era a original: à direita, a casa não tinha dois pisos, o que é evidente na diferença de construção e à esquerda não tinha seguramente aquela varanda.

FOTO 9 – Cruzeiro de Soeima – 1990

A foto original é mesmo a preto e branco, apesar de já ser recente.

O cruzeiro de Soeima é de 1940 e ainda existe. O que já está muito modificado é o largo, que fica logo à entrada da aldeia, para quem vai de Vila Nova.

Esta foto deu-me uma ideia que procurarei trazer para o blog, ou seja, uma colecção de fotos sobre os cruzeiros que existem no concelho, já que o pelourinho de Alfândega da Fé também levou “sumiço”! Os cruzeiros mais antigos são os de Gouveia, Valpereiro e Vilares da Vilariça.

FOTO 10 – Capela da Legoinha – 1990

A Legoinha é uma anexa de Vilarchão e suponho que neste momento já não tem lá ninguém a viver permanentemente. Quando tirei esta foto ainda viviam lá oito pessoas, todas idosas. A capela também está quase em ruínas, embora exista um grupo de pessoas que pretende recuperar o edifício, ou fazer outro novo, para garantir a continuidade da festa que ali se faz anualmente. Esta pequena aldeia, cujas casas de habitação estão todas à volta do largo onde fica a capela (tem apenas uma outra rua onde ficam alguns palheiros), é um local espectacular para se desenvolver uma iniciativa de turismo rural. Aqui fica a dica para os eventuais interessados.

FOTO 11 – O Tanque das eiras – 1980

Na zona da Igreja Matriz ficava uma das escolas primárias da Vila e o Hospital da Misericórdia (hoje Centro de Saúde), assim como este tanque de água que servia para os animais beberem. Hoje já não existe. O largo foi completamente alterado e construiu-se outro tanque a cerca de duzentos metros, fora da zona urbana.

FOTO 12 – O tanque da curva da empresa – 1992

Inicialmente este tanque para animais estava localizado numa curva da estrada nacional 215, à saída para Torre de Moncorvo, logo depois da garagem da Empresa Alfândeguense, daí o nome porque era conhecido. Para quem não recorde Alfândega desse tempo, o local corresponde mais ou menos à actual rotunda junto ao Lar da Misericórdia. O tanque foi mudado para o local da fotografia e acabou por ser retirado quando se construiu a avenida que dá acesso à Zona Industrial.

FOTO 13 – “Estação rodoviária” – 1995

A foto é bastante recente, mas documenta a construção original que recentemente sofreu obras de restauro. O nome é sugestivo, pois na realidade trata-se da antiga paragem de autocarros no cruzamento de Valpereiro (estrada nacional 215). Na primeira colecção de fotos inclui uma de um autocarro de passageiros do início do século XX. Faltou referir que se trata de uma viatura da Empresa Auto-Viação Bragançana, fundada pelo Dr. António Menezes Cordeiro, talvez em 1904. Esta “Estação Rodoviária” terá sido construída por essa altura e é exemplar único no concelho.

ACTIVIDADES DO MUNDO RURAL

A agricultura e a pastorícia continuam a ser as mais importantes actividades económicas do concelho de Alfândega da Fé. Mas as alterações são muitas. O concelho já quase não produz cereais e, no entanto, tinha três celeiros (Saldonha, Alfândega da Fé e Eucísia), que enchiam todos os anos, bem como dezenas de eiras para malhar o trigo e o centeio. Algumas dessas eiras ainda existem e são elementos patrimoniais valiosos, devido à qualidade da sua construção.

FOTO 14 – A “segada” – anos 80

Antes da chegada das ceifeiras-debulhadoras mecânicas, as “segadas” constituíam uma das mais duras actividades agrícolas da região. O processo era todo manual, como documenta esta foto, seguindo-se a “acarreja” (transporte para as eiras) onde o cereal era guardado em “medas” até ser malhado.

FOTO 15 – A “malhada” – anos 80

Suponho que há três ou quatro décadas atrás todas as localidades do concelho teriam pelo menos uma eira para malhar os cereais. A maior parte dessas eiras são anteriores à introdução das malhadeiras mecânicas, pelo que tinham de ser empedradas, pois o cereal era malhado manualmente, no próprio piso, através da utilização de “malhos” de madeira e no final era separado da palha, limpo e finalmente armazenado. Por essa razão, o pavimento das eiras antigas era empedrado e em muitas delas os construtores fizeram autênticas obras de arte.

Esta foto mostra uma malhada (Alfândega da Fé), já com a utilização de uma malhadeira mecânica das mais recentes.

FOTO 16 – Eira de Colmeais – 2005

A eira de Colmeais, uma aldeia localizada na encosta poente da Serra de Bornes é seguramente a mais importante de todo o concelho, não apenas por ser toda em granito, mas também pelo facto de ser pública. Muito recentemente esta eira foi recuperada pela Câmara Municipal, assim como a fonte de mergulho que fica ao lado. Vale a pena visitar esta localidade e a sua eira pública. Um dia destes colocarei no blog um trabalho mais completo sobre Colmeais.

FOTO 17 – Eira do castelo de Alfândega da Fé – 2003

Esta eira localiza-se na zona mais alta do antigo castelo de Alfândega da Fé. Não tem nada a ver com o período medieval, pois não deve ser anterior ao século XIX, uma vez que o Tombo dos Bens do Concelho (1766) não refere a sua existência.

Os trabalhos de limpeza que se efectuaram e os que têm estado a decorrer para reabilitar toda aquela zona, mostram que existem outros vestígios de ocupação por baixo do terreno onde foi construída esta eira, o que prova ser bem mais recente do que alguns “especialistas de ocasião” tentaram fazer crer, chegando ao absurdo de sugerir que se tratava de uma “rosa-dos-ventos”, ou de um “relógio solar”! Trata-se apenas de mais uma eira para malhar cereais, embora não deixe de ter interesse patrimonial por isso, até porque tem uma construção muito característica, sendo o empedrado sustentado com várias linhas de lajes de xisto de maior dimensão, algumas das quais evidenciam claramente utilizações anteriores. De qualquer forma, antes de fazerem afirmações gratuitas sobre esta eira, algumas pessoas deveriam ter tido o cuidado de perguntar às pessoas da zona o que aquilo era, pois algumas ainda se lembram de ali se fazerem malhadas!

FOTO 18 – Eira de Santa Marinha – Gouveia – 2006

Há uns dias fui ver as obras de recuperação que estão a decorrer na capela de Santa Marinha, em Gouveia. Já ali estive dezenas de vezes, mas nunca tinha reparado que mesmo ao lado da capela existe esta eira, ainda em muito bom estado de conservação. A fotografia não mostra muito bem, por causa da terra que se foi acumulando, mas está toda empedrada.

FOTO 19 – Tosquia das ovelhas – anos 80

Hoje já não é muito comum ver este trabalho, mas ainda se realiza, até porque no concelho existem várias dezenas de rebanhos de ovelhas.

FACTOS E FIGURAS

Este pequeno conjunto de fotografias faz parte das mais antigas e até a sua observação atenta nos revela pormenores interessantes, desde os locais ao tipo de vestuário das pessoas. Nestes casos, a própria fotografia transforma-se num documento de investigação.

FOTO 20 – Dia da árvore em Parada – 1936

O dia da árvore já se comemora há muito tempo, como mostra esta fotografia de 1936. O grupo é constituído pelos alunos da escola primária de Parada e por algumas pessoas da população da aldeia. É interessante verificar a presença do elemento religioso, bem como o vestuário dos alunos, perfeitamente diferenciado entre as raparigas e os rapazes. No primeiro plano, o ferro para abrir os buracos onde seriam plantadas as árvores que se encontram nas mãos de algumas raparigas.

FOTO 21 – Banda de Música – anos 50

Esta foto foi tirada junto ao coreto do Jardim Municipal de Alfândega da Fé. Pelo tipo de farda, estou em crer que se tratava da Banda da Legião Portuguesa.

FOTO 22 – Brincadeira de crianças – anos 50

Aqui está uma foto interessante, acerca da forma como as crianças ocupavam o seu tempo. Neste caso, construindo uma “ponte” numa ribeira (Alambiques) perto de Alfândega da Fé.

FOTO 23 – Grupo de amigos na Ferradosa – 1959

Esta foto mostra um conjunto de pessoas junto à igreja da Ferradosa, possivelmente num dia de festa. Muitas delas ainda são da minha lembrança e algumas ainda não faleceram. Para quem é de Alfândega da Fé poderei dizer que o Sr. Manuel Serrano (já falecido) é o segundo a contar da esquerda e o Sr. Manuel Veiga (já falecido) é o terceiro a contar da direita.

FOTO 24 – Dois amigos no cruzamento de Cerejais – anos 60

O Dr. Mário Miranda, à direita, foi médico em Alfândega da Fé durante mais de quarenta anos. Um dos seus grandes amigos era o Sr. Ismael Martins, à esquerda.

FOTO 25 – Junto a uma nora – anos 60

Para além das pessoas, esta foto revela uma das muitas noras que existiam no concelho de Alfândega da Fé. A quantidade deste tipo de estruturas para irrigação das hortas era numericamente tão elevado que me atrevo a afirmar que não haveria situação semelhante em todo o nordeste, estando este facto claramente relacionado com a ocupação árabe na região.

ASPECTOS DA VILA DE ALFÂNDEGA DA FÉ

FOTO 26 – Revista da Comissão de Festas – 1977

A imagem representa a capa da primeira revista da Comissão de Festas do Mártir S. Sebastião, publicada em 1977. Para além do registo da primeira edição desta revista, de que já saíram vinte números, a foto da capa mostra uma parte da vila em meados da década de setenta.

FOTO 27 – Revista da Comissão de Festas – 1978

Apresento esta imagem pela mesma razão da anterior. A capa procura mostrar a evolução urbana da Vila, através de uma gravura de 1921 e de uma fotografia de 1978.

FOTO 28 – Alfândega da Fé – 1980

A qualidade desta fotografia não é a melhor, mas permite verificar que a parte mais a sul do Bairro do Valtelheiro ainda não estava completamente construída. Lá ao fundo, no último plano, é possível verificar que ainda não existia o pavilhão desportivo da ARA.

FOTO 29 – O início da construção da Biblioteca Municipal - 1991

Tirada em 1991, esta fotografia mostra a movimentação de terras para a construção da Biblioteca Municipal.

Termino assim a apresentação deste segundo grupo de fotografias. A intenção é continuar este trabalho e tal como já me foi sugerido, compilar tudo isto numa publicação, naturalmente com mais alguns elementos interpretativos e explicativos sobre cada fotografia.

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F. Lopes, 11 de Fevereiro de 2006

 
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