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PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO

 

Este nosso concelho não pára de me surpreender!

 


 

Percorro o nosso concelho há mais de vinte anos em busca de locais com interesse arqueológico e histórico. Sempre que penso já ter terminado abre-se uma nova porta e surge mais um motivo de interesse. Começo a pensar muito seriamente se aquilo que já se conhece não será apenas uma pequena parte do que verdadeiramente existe por esses montes e vales, à espera que alguém lhe dê novo sentido.

 

 De todo este património alguns exemplos já são o resultado da minha procura, muitas vezes a partir de indicações preciosas que as pessoas me vão fornecendo. Foi assim, por exemplo, com a “Pedra das Ferraduras”, na freguesia de Eucísia, um conjunto de gravuras que já eram conhecidas da população, mas que nunca tinham sido mencionadas publicamente por ninguém. O Castro de Santa Justa (na mesma freguesia), “apareceu” por acaso… ou seja, um dia subi àquele monte para ver o marco geodésico e tirar uma fotografia lá do alto para a aldeia e lá estava o “muro”! A identificação do Castro de Cabreira, por exemplo, resultou da primeira vez que fui ver o Castro/Castelo de Picões (que já era conhecido e identificado), na altura em que se fez a estrada Cabreira-Picões. A “Pedra Nova”, uma pequena pedra com gravuras semelhantes às de Ridevides, foi o resultado de um olhar mais atento para um local onde já tinha passado centenas de vezes sem ver nada. Recordo-me que dessa vez ia precisamente ver o estado do caminho para a pedra de Ridevides, pois levaria lá um grupo de participantes no Encontro Internacional de Arqueologia que estava a decorrer em Freixo de Espada à Cinta e no qual apresentaria uma breve comunicação no dia seguinte. Está bom de ver como calhou muito bem esta notícia dada fresquinha àquele auditório!

Enfim, o “Castelinho”, uma aldeia extinta, possivelmente medieval, “caiu do céu”, como se costuma dizer, porque a primeira vez que tentei ir ao Castro de Castelo (já conhecido e identificado) me enganei no caminho e fui dar a este local.

Neste últimos dias, mais duas descobertas importantes: outro Castro na Serra da Gouveia e mais um Machado de Pedra polida na zona da localidade de Castelo.

 

O CASTRO DO “CURRAL DA CERCA”

TEM UMA DIMENSÃO IMPRESSIONANTE

 

A “descoberta” deste Castro, que não aparece identificado em qualquer registo bibliográfico, vem contribuir para alterar significativamente a ideia de que as estruturas de tipo castrejo não têm uma grande densidade na nossa zona.

Na verdade, não contando com estruturas deste tipo existentes nos concelhos vizinhos, só no nosso, e apenas na área da Serra da Gouveia, já contamos cinco e todos em linha, não distando muito uns dos outros: Santa Justa, Gouveia (no marco geodésico), “Curral da Cerca”, a cerca de um quilómetro do anterior, Cabreira e Picões, estes a uns quinhentos metros de distância entre ambos. Se considerarmos correcta a observação de Santos Júnior no sentido de que Nª Senhora dos Anúncios também seria um castro, teremos seis situações deste tipo.

O reconhecimento do Castro do “Curral da Cerca” também tem uma história muito simples de contar. No passado dia 18 dei uma volta pela freguesia de Gouveia, acompanhado do Presidente da Junta, para observar alguns aspectos patrimoniais, entre os quais um antigo lagar de azeite que se pretende recuperar. Subimos à Serra para lhe mostrar o Castro de Gouveia. Seguimos depois pelo caminho rural que atravessa a serra, em direcção à Cabreira, onde vimos duas fontes de mergulho e de caminho demos uma espreitadela, da estrada, ao monte onde se localiza o Castro de Cabreira. Pelo caminho, o Sr. Alcino Vieira falou-me de um monte a que chamavam “Curral da Cerca”, que diziam ter servido antigamente para guardar lá os gados. Estávamos a passar junto a esse monte, mas o tempo era pouco. Parei apenas para registar o sítio no GPS e seguimos viagem.

 


Aquele topónimo despertou-me logo a atenção, sobretudo a palavra “Cerca”. Nunca o tinha ouvido, nem vem mencionado em parte alguma que eu conheça.

Na primeira oportunidade regressei ao local, vestido e calçado para vencer o forte monte que ocupa a parte superior. Essa oportunidade surgiu no passado dia 22 e confesso que ia com alguma esperança de ali encontrar algo de interessante, mas nunca um Castro, ou algo semelhante. A minha mulher acompanhou-me nesta incursão da tarde de Sábado.

Não é fácil de descrever o que senti logo que cheguei à parte superior do monte. À minha frente apresentou-se um muro derrubado, cuja pedra negra evidencia antiguidade.

Comecei a seguir este muro derrubado, fazendo a marcação com o GPS. Dei a volta completa ao monte. São duzentos metros (ou mais) de muro, que só para onde as fragas constituem defesa natural, que é a zona sul, virada para a localidade de Gouveia. Em alguns sítios ainda é perfeitamente visível que este muro criava um desnível com o resto do terreno com mais de quatro metros de altura. Uma estrutura com tamanha dimensão não foi certamente construída para guardar o gado. Foi antes o muro que servia de protecção a um povoado, o que é próprio da época habitualmente designada por castreja. Uma datação mais precisa não é possível apenas com estes dados de observação. Mas não restam dúvidas de que estamos a falar de mais um povoado antigo que existiu no território que é hoje o nosso concelho.

 

 

 

MAIS UM MACHADO DE PEDRA POLIDA

encontrado no Castro de Castelo

 

O fim-de-semana parece que estava destinado às descobertas. No Domingo à tarde fui com o meu filho Vasco tirar umas fotografias com mais qualidade ao local onde em 2000, numa visita com arqueólogos do IPA ao Castro de Castelo (aldeia anexa da Freguesia de Alfândega da Fé) um deles encontrou, à superfície e entre outros materiais, um machado de pedra e uma ponta de sílex. O achado, sendo importante, não significava necessariamente que se tratasse de um sítio pré-histórico. Até porque o local havia sido completamente mexido com uma ripagem do terreno, não se sabendo ao certo de onde teriam saído aqueles materiais.

Pelo sim e pelo não, desta vez, depois de tirar as fotografias, tratei de dar mais uma olhadela ao terreno, na esperança de que pudessem aparecer outros materiais. Mas nada. Continuamos o percurso até ao Castro e tratamos de tirar algumas fotografias. O antigo muro ainda se nota, mas os facto de no seu interior continuar a existir agricultura tem contribuído para a degradação do local. Na parte poente do monte foi aberto há uns anos um caminho e resolvemos seguir por ele, a pé, pois não sabia se teria saída, o que de facto acontece, como verifiquei depois. Procurávamos um enquadramento que permitisse fotografar o que resta do antigo muro, para dar uma perspectiva do desnível que fazia em relação ao resto do terreno. De caminho aproveitamos para fotografar também um antigo moinho na ribeira dos Canelhos, daqueles aonde não chegam carros de espécie alguma! Outro elemento patrimonial de que falarei um dia destes.

No regresso, mais uma vez fui olhando para o chão. Nunca se sabe… e o incrível aconteceu! Mesmo no meio do caminho, semi-enterrado, ali estava uma pedra diferente, escura, que só poderia ter sido arrastada pela máquina que abriu o caminho, ou sido apenas destapada no local onde sempre esteve. Não descobri logo que era um machado de pedra, pois tinha a parte mais afiada completamente enterrada na terra. Ainda que isso signifique pouco numa situação destas, tratamos de fotografar todos os passos, até levantar a pedra e ter a certeza que era, de facto, um machado de pedra polida. Ao fim de tantos anos de pesquisas esta foi a primeira vez que encontrei um objecto com tanta importância. Não a importância patrimonial (se resultasse de uma escavação era bem mais importante), mas o facto de ser o segundo objecto do mesmo tipo na mesma zona. É que isto abre novas perspectivas ao entendimento do local. Mas tal assunto ficará para os arqueólogos que um dia se venham a dedicar a estudar mais atentamente este local, se é que alguma vez isso acontecerá!

Para já, aqui ficam as fotografias, incluindo uma que vem a propósito e se refere ao material encontrado em 2000 e que se encontra à guarda do IPA-Delegação de Macedo de Cavaleiros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

F. Lopes, 23 de Abril de 2006  

 
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