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PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO

 

 

DESCOBERTO

 MAIS UM “CASTRO”

NA SERRA DA GOUVEIA

(ALFÂNDEGA DA FÉ)

 

 

Com esta descoberta, já são seis os locais arqueológicos naquela serra, que se estende do Vale da Vilariça até ao rio Sabor, com orientação nascente-poente.

 

 


 

 

 

Faz hoje dois anos e um mês que aqui noticiei o “Castro do Curral da Cerca” e fui dizendo que me palpitava que este concelho ainda tem por aí muitos locais arqueológicos à espera que alguém dê com eles! E não me enganava.

Desta vez a descoberta deve-se ao Fernando Vaz, um jovem estudante de arqueologia na Universidade do Minho e que foi meu aluno no ensino secundário. Para além da descoberta de uma enorme estrutura em pedra, o “muro”, encontrou parte de uma “mó dormente” manual, em granito, um material que não existe na zona.

O Fernando é natural de Cabreira, uma pequena localidade anexa de Gouveia, localizada na vertente sul da serra com o mesmo nome (também se chama Serra Brava e do Sendim) e embora já tenha há muito tempo o gosto pelas coisas “antigas”, o curso de arqueologia já lhe deu conhecimentos e vontade de começar a explorar o território que melhor conhece, que é o termo da sua freguesia.

Para mim isto significa o virar de uma página. Já não estou sozinho nestas caminhadas pelos montes!

 

Mas vale a pena deixar aqui um pouco da história desta descoberta, antes de dar as explicações possíveis sobre o que possa significar.

Exactamente há dois anos, depois da notícia do “Castro do Curral da Cerca”, um amigo (suponho que foi o João Simões) que se dedica à caça desportiva e conhece bem aquela serra, falou-me de um “muro” que eu não conhecia e indicou-me o local. Através dessas indicações fui dar a uns cem ou duzentos metros do local de que vamos falar adiante, mas eu não vi nada que pudesse apontar como vestígio “castrejo”, embora tenha observado que no pinhal dessa zona havia vários montões de pedras escura, sinal de que tinham uso muito antigo. Considerando que o local ficava entre o “Castro do Curral da Cerca” e os “Castros” da Cabreira e dos Picões e não vendo algo que se assemelhasse com a habitual zona de protecção natural (normalmente um conjunto de fragas de difícil acesso) entendi que já seriam “castros” a mais para a mesma zona e desisti dessa pesquisa. Não podia estar mais errado, como se verá.

O ano passado (2007) mais ou menos por esta altura, a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia de Gouveia, Sendim da Serra e Ferradosa fizeram uma importante intervenção de defesa da floresta naquela serra, que incluiu o alargamento e a criação de uma zona de contenção no caminho que segue pelo coroamento e ainda a abertura de um novo caminho que liga o Marco Geodésico ali existente (eu só conheci este marco geodésico depois do caminho aberto) à estrada municipal que vai de Cabreira para Picões, facilitando assim o acesso e circulação das viaturas de combate a incêndios.

O caminho florestal que então foi aberto passa mesmo ao lado do referido marco geodésico e só passei nesse local quando lá fui com outras pessoas para verificar as condições de circulação, não tendo saído da viatura.

O Fernando fez aquilo que é necessário fazer para descobrir estes vestígios antigos: andar a pé! E descobriu um enorme “muro” lá no alto daquele monte, que parte mesmo junto do marco geodésico.

No dia 18 deste mês mandou-me uma mensagem a dar conta do achado e ficamos logo de nos encontrar para ir ver o local e tirar algumas fotografias. Essa visita aconteceu hoje, dia 23 de Maio e ainda não demos a volta a toda a extensão do “muro”, mas já sabemos que é o maior de todos os que se conhecem no concelho.

 

 

 

Legenda destas duas fotos: Pormenores do “muro”. Estas fotos elucidam bem a dimensão desta estrutura.

 

Para já demos-lhe o nome de “CASTRO DO PINHAL”, mas na realidade a estrutura é tão grande e as características do local tão diferentes das dos outros “castros”, que ficamos sem perceber do que estaremos a falar. Mas não restam dúvidas de que se trata de uma “muro”, ou “muralha” de protecção, podendo por isso admitir-se que ali tenha existido um povoamento.

Como referi, não demos a volta a toda a área e o Fernando também o não fez na altura da descoberta. Mas já dá para perceber que a zona interior era muito maior do que a do “Curral da Cerca”, o que torna ainda mais surpreendente esta descoberta. Por outro lado, o Fernando indicou-me o que parece ser uma segunda zona de protecção, talvez associada à entrada desta estrutura, ou a uma das entradas, pois a dimensão justifica essa hipótese. A estrutura, construída com pedra da zona, está muito destruída, mas seguramente que tem as fundações intactas, apesar de a zona ter ocupação agrícola e florestal. O caminho que se abriu em 2007 atravessou o “muro” em dois locais, mas o operador da máquina nem sequer se apercebeu, uma vez que a pedra está muito espalhada.

 

 

Legenda das três fotos seguintes: As duas primeiras fotos mostram os dois locais em que o caminho florestal construído em 2007 cortou o “muro”. A terceira foto é uma panorâmica do mesmo caminho e o marco que se vê ao alto já ali se encontrava, sendo possivelmente um indicador dos limites das freguesias de Gouveia e Ferradosa.

 

 

Uma coisa é certa: com esta descoberta, a Serra da Gouveia conta agora com seis locais arqueológicos deste tipo, suficientes para admitirmos um povoamento fora do vulgar nestas zonas, dado que estamos a falar apenas de uns quatro quilómetros em linha recta entre os dois mais distantes, Picões e Santa Justa.

Em tom de brincadeira já fui dizendo ao Fernando que termine o curso e se especialize neste tipo de sítios arqueológicos, pois só nesta serra tem trabalho para toda a vida! Pode ser que de brincadeira o assunto vire coisa séria e passemos a ter no concelho um Arqueólogo a tempo inteiro, ainda por cima da zona e conhecedor do terreno. Isso seria fechar esta história com chave de ouro!

Os mais entendidos nestas coisas estranharão que não coloquemos aqui dados mais objectivos, nomeadamente em termos de localização, características da construção, medidas, etc., etc. Esse trabalho será efectuado com mais calma e então voltaremos ao assunto. Para já pretendi apenas deixar o registo de mais uma descoberta que vem enriquecer o nosso património concelhio e reforçar a ideia de que é urgente intervir arqueologicamente nestes sítios, transformando-os em pólos de investigação e de turismo.

Às vezes andamos a inventar soluções estranhas e de difícil concretização para promover o desenvolvimento local e viramos as costas a alguns recursos endógenos, como se eles fossem uma coisa menor em que não vale a pena acreditar. Talvez tenhamos todos que mudar um pouco a nossa mentalidade. Comecemos a juntar as pontas, recordemos, por exemplo, o que se descobriu com o levantamento do património religioso, comecemos a perceber a densidade e diversidade do nosso património histórico e talvez cheguemos à conclusão de que é tempo de pensar a sério em transformá-lo numa mais valia do desenvolvimento concelhio. Não será certamente a solução milagrosa para esta interioridade que nos destrói, mas é seguramente um bom contributo.

 

 

 

 

 

 

Legenda das três fotos seguintes: Convém referir que não há fotos repetidas ou tiradas no mesmo local. Todas elas (as deste grupo e as restantes) apresentam partes diferentes da estrutura, o que ajuda também a perceber a sua dimensão, pelo menos em termos de comprimento. A primeira destas fotos mostra, por exemplo, que a zona ocupada pelas pedras derrubadas deu origem a uma linha em que não nasceram pinheiros. Na última foto deste grupo observa-se uma pequena parte da parede ainda intacta, quase ao nível da fundação.

 

 

 

 

 


 

Legenda: Neste local parece existir uma pequena construção circular dentro, ou associada ao “muro”, mas para já não se percebe o que possa significar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Legenda: As “mós dormentes” são a parte fixa dos equipamentos para triturar (moer) cereais e podem funcionar manualmente (estas são de pequena dimensão) ou mecanicamente, através da força motriz proporcionada pela água e neste caso são as que encontramos nos tradicionais moinhos. Já se encontraram mais peças destas no concelho, todas na zona entre Santa Justa e o Monte de Nossa Senhora dos Anúncios, nas freguesias de Eucísia e Vilarelhos. Algumas estão em bom estado de conservação e tudo indica serem romanas, mas existem partes de outras que parecem ser mais antigas, devido ao seu aspecto mais tosco, não sendo circulares, mas com forma oval, nem possuindo qualquer encaixe na “mó movente”, o que permite um funcionamento mais eficiente do mecanismo.

A parte da “mó dormente” que o Fernando Vaz encontrou é do tipo mais antigo e pode ser pré-romana, mas essa cronologia para já não passa de suposição.

Uma coisa é certa, esta peça é a primeira a ser encontrada numa estrutura “castreja” do concelho.

 

 

 

Legenda: A primeira foto mostra o monte onde se localiza o “Castro do Pinhal” e ajuda a perceber a escolha do nome! A segunda foto é tirada a partir do local e mostra a localização dos “castros de Gouveia (1) e Curral da Cerca (2)”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Legenda: Nestas fotos aéreas localizei os “castros” actualmente conhecidos da Serra da Gouveia. O traço vermelho indica as áreas com “muros”; o traço verde as zonas de protecção natural. “Castro do Pinhal” é representado a amarelo, mas a linha é apenas indicativa, uma vez que ainda não estão definidos os limites do “muro” e este não é visível na fotografia aérea devido ao denso pinhal ali existente.

 

Legenda: Neste mapa do concelho estão assinalados os sítios arqueológicos actualmente identificados, mas incluiu três situações que foram referenciadas mas não estão confirmadas (“Castros” de Agrobom, Felgueiras e Valpereiro e Insculturas de Saldonha) Como foi feito há uns anos, actualizei-o com os “castros” do Curral da Cerca e do Pinhal e os machados de pedra encontrados na zona do “Castro do Castelo”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

F. Lopes, 23 de Maio de 2008

 
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