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ARQUEOLOGIA

 

 

 

Encontrada ponta de seta em xisto, que pode ser do Neolítico, ou do Calcolítico, num abrigo (também inédito) junto ao castro da Cabreira.

 

Pouco a pouco, o que há uns anos parecia inexistente começa a ganhar forma: no território do actual concelho de Alfândega da Fé existem importantes registos arqueológicos que nos levam até um passado muito remoto, provavelmente (e pelo menos) ao Neolítico.

 

 

Fernando Vaz foi meu aluno no ensino secundário e seguiu arqueologia, curso que acaba de concluir, assinalando esse facto da melhor forma, ou seja, com um achado arqueológico que tem uma pequena dimensão, mas uma importância extraordinária: uma ponta de seta em xisto, que pode ser do Calcolítico, ou mesmo do Neolítico e que encontrou junto a um abrigo, até agora não identificado, localizado na encosta sul do castro da Cabreira.

 


 

Para os mais atentos a estas notícias que vou escrevendo desde que iniciou o Blog e agora no Site, recordo que em 2008 dei conta de um outro achado importante do Fernando Vaz, o castro do Pinhal (o nome foi ele que lho deu e assim se chamará) depois de eu próprio ter dado a primeira notícia, em 2006, do castro do Curral da Cerca (assim designado por ser o nome da zona).

Curioso é que numa área relativamente pequena temos já conhecimento de cinco estruturas castrejas (a designação pode não ser a mais correcta, mas para já serve) muito próximas umas das outras e todas associadas ao cume ou encosta sul da Serra da Gouveia: castros da Gouveia, Curral da Cerca, Pinhal, Cabreira e Picões, a que se junta agora o abrigo referido.

Para além deste texto reeditei também os textos do Blog sobre estes assuntos, que poderão ser consultados na secção “Sobre Alfândega da Fé – textos editados no Blog”.

O Fernando Vaz deu-me conhecimento destes seus achados e há dias pude ver todo o material, mas ainda não arranjei tempo para ir com ele ver o tal abrigo.

É um percurso que ambos conhecemos muito bem e suponho que agora ele melhor do que eu. Para além de viver na localidade de Cabreira (anexa de Gouveia) e possuir os conhecimentos necessários para fazer um trabalho técnico e científico, o Fernando foi seguramente das primeiras pessoas a quem mostrei o castro da Cabreira, pouco depois de o ter identificado e dele ter dado notícia, em 1990. Uns dois anos depois, o professor primário de Cabreira, Carlos Rei, pediu-me para ir à escola primária da localidade falar de património local aos alunos e visitar o castro e a célebre “Cornalheira Santa” ligada à lenda de Frei João Hortelão, que fica mais abaixo, também na encosta virada para o rio Sabor. O Fernando fazia parte do pequeno grupo de alunos que então frequentavam a escola primária da sua aldeia e foi aí que ficou a conhecer o castro que agora lhe ocupa muitas horas na procura de pedaços de cerâmica ou outros objectos. Espero mesmo que esta e outras estruturas se transformem na sua ocupação permanente como arqueólogo, pois está visto que tem no concelho matéria para muitos anos de estudo e investigação.

Juntamente com as fotos enviou-me também a sua opinião acerca destes materiais e das hipotéticas ligações entre algumas destas estruturas. Aqui deixo o seu testemunho na íntegra, agradecendo-lhe a colaboração e a disponibilidade para mais esta notícia sobre Alfândega da Fé.

 

 

 

“As suas suspeitas de que o castro da Cabreira tinha uma cronologia mais antiga do que aquela que se pensava, parecem estar correctas. No entanto, não podemos descurar a hipótese de, neste sítio, ter havido um palimpsesto, ou seja, uma ocupação ao longo de vários períodos cronológico-culturais. As imagens que lhe enviei foram materiais encontrados à superfície. Num abrigo/pala na encosta sul do castro foram exumados, também à superfície, uma ponta de seta em xisto e 2 fragmentos de cerâmica lisa sem decoração.

Começando pelos materiais e particularmente as cerâmicas, estas são de pastas claras (as decoradas) que parecem ser fragmentos de uma "pança" com pouca mica e alguns quartzos e uma delas foi polida na sua parte interior. A decoração é penteada, ou seja, múltiplos SS. A cronologia, para estas cerâmicas e para o Nordeste Transmontano, é geralmente datável do Calcolítico/Bronze Inicial. No entanto, este tipo de decoração também pode ser usada no Ferro Recente mas, para isso, teriam que ter as marcas de serem feitas à roda e não é esse o caso nestas cerâmicas. São claramente manuais, ou seja, feitas à mão.

Quanto às cerâmicas lisas, estas são de pastas escuras, não por terem sido feitas num ambiente oxidante, mas porque parecem ter sido utilizadas para queimar alguma coisa. Isto é só o que me parece e é a opinião de alguém que não é nenhum "expert" em cerâmicas da Pré-História Recente.

 

 

 

 

 

 A ponta de seta em xisto é, talvez, do Neolítico/Calcolítico porque, por aquilo que se sabe actualmente, a partir da Idade do Bronze as pontas de seta começaram a ser de metal (bronze). Poderia colocar-se a hipótese da ponta de seta e das cerâmicas lisas se terem estabelecido no abrigo através de escorrimentos de terras, mas tal não me parece plausível porque os materiais não apresentam sinais de rolamento. Logo, não estando in situ, poderão ser originárias do abrigo mas estarem à superfície devido a remeximentos. Num dos buracos do abrigo foram colocadas pedras com o claro intuito de o tapar. Este facto leva-nos a crer que houve intenção em ocupar tal abrigo.

Relativamente à relação que o castro possa ter com o dos Picões, é uma possibilidade. No entanto, se estes surgiram na Idade do Ferro ou Bronze Final, tanto o castro dos Picões como o da Cabreira poderiam ter sido satélites do castro do Pinhal, já que este último é de grandes dimensões e os outros dois são bem mais pequenos. Uma vez mais, esta é a minha opinião, que não pode ser tomada como certeza absoluta. Deveriam efectuar-se sondagens arqueológicas nestes 3 castros para ver se há coincidência dos materiais. Entre o castro da Cabreira e do Pinhal há semelhanças quanto à muralha mas talvez não seja facto suficiente para se fazerem analogias.

Não nos podemos esquecer do contexto em que o castro está inserido (vale do Baixo Sabor) e, em particular, o sítio onde os materiais foram encontrados. Certamente que estes locais tiveram uma ocupação desde o Paleolítico até à Idade do Ferro, senão mesmo até à época moderna.

Este pequeno texto tem como objectivo dar a opinião de alguém que só agora se está iniciar verdadeiramente na Arqueologia.

 

Fernando Vaz (08-03-2010)”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

F. Lopes, 14 de Março de 2010

 
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