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CANTARES DE REIS 2015

 

começam hoje à noite!

Este ano canta-se para a Festa do S. Sebastião.

 

 

Os cantares de Reis são uma tradição antiga e de forma mais ou menos organizada sempre se cantaram em várias localidades do concelho de Alfândega da Fé, entre os dias 1 e 6 de Janeiro.

 

A própria designação “Cantares de Reis” carece de alguma explicação.

Há quem entenda que “Cantares de Reis” deve aplicar-se apenas para a noite de 6 de Janeiro, designando-se por “Janeiras” os cantos que começam em 1 de Janeiro e em alguns casos vão até ao final deste mês.

Essa questão é pouco relevante. Em Alfândega da Fé sempre se designaram por “Reis” os cantares do dia 1 ao dia 6 de Janeiro e o termo “janeiras” nunca fez parte da tradição local pois habitualmente não se canta para lá do dia de Reis. Por outro lado, é certo que os grupos ocasionais de cantares de Reis sempre existiram, sobretudo compostos por homens e em particular pela gente mais jovem. Nesses tempos mais recuados os Reis cantavam-se por umas alheiras (quando a coisa corria bem uma ou outra chouriça) e alguns “manjares” que sobravam do Natal; raramente era dado dinheiro aos cantadores, já que isso era um “produto” que não abundava muito e os Reis cantavam-se sobretudo no seio dos pobres e remediados, que ainda assim, apesar da sua condição social, tinham mais gosto e prazer nas tradições. Aliás, o que seria das tradições se não fosse o Povo, no sentido social da palavra nesses tempos?!

Hoje somos todos Povo. Mas está bom de ver que continua a haver uns que são mais Povo do que os outros…e outros que só o são quando lhes convêm!

Mas adiante, que os Reis são cantares de alegria, de amizade e de esperança com um pouco de religiosidade à mistura.

A tradicional “Noite de Reis” que de há uns anos a esta parte se realiza na Casa da Cultura  e que pode não ser no dia 6 se este não coincidir com fim de semana, é uma iniciativa bastante recente.

Esta ideia de organização de uma “Noite de Reis” em espaço fechado mas de entrada livre, data de 1989, quando a iniciativa se organizou pela primeira vez nas instalações da ARA.

 

Durante alguns anos (até a iniciativa ser assumida pela Câmara Municipal, suponho que em 2005) a “Noite de Reis” realizou-se sempre no dia 6, ou na ARA, ou nos Bombeiros Voluntários e se não estou em erro houve um ano que foi na actual Escola Básica e Secundária.

 

 

Tirando aqueles grupos espontâneos já referidos, o aparecimento de grupos mais organizados (e ensaiados) para cantar os Reis talvez tenha começado em Sambade, entre 1986 e 88; suponho que em 1988 houve também um grupo organizado dos Bombeiros Voluntários e em 1989 começou o grupo da ARA, que se manteve durante vários anos e de certa forma aguentou a tradição na Vila.

Por isso, pode dizer-se que desde 1988 (ou 89) os Reis se cantam ininterruptamente nas ruas de Alfândega da Fé.

 

 

 

Nestes anos todos (já lá vão quase três décadas) os cantares de Reis já serviram para vários peditórios, mas também houve muitos anos que se cantaram sem recolher qualquer donativo.

Este ano o desafio foi lançado pela Comissão de Festas do Mártir S. Sebastião e a adesão para constituir o grupo foi simplesmente espectacular e meritória de registo. Estou certo de que a população de Alfândega da Fé também saberá corresponder, tanto mais que todos acabamos por ganhar, pois a festa de S. Sebastião (Agosto) movimenta um grande número de pessoas da Vila e do concelho.

Deixo aqui mais algumas fotos de outros anos bem como o registo dos temas que vão ser cantados.

 

 

 

 

OS TEMAS QUE VÃO SER CANTADOS ESTE ANO

 

S. Sebastião – cantar de Reis

(Letra e música - F. Lopes)

 

Refrão

Chegaram os tocadores

e estas belas cantadeiras

abram a porta senhores

vimos cantar as janeiras

p’lo nosso Sebastião

que é santo e bem merece

que todos lhe abram a mão

e a Comissão agradece.

 

I

 

Boas Festas e Bons Reis

a todos vos desejamos

e o Bom Ano que quereis

também aqui vos deixamos.

 

(Refrão)

 

II

 

Esta ajuda agradecemos

pelo S. Sebastião

em Agosto lá estaremos

na sua festa de Verão.

 

(Refrão)

 

BOA NOITE, MEUS SENHORES

(Letra e música - F. Lopes)

 

I

Boa noite meus senhores

que estais em paz e alegria

no aconchego da lareira

nesta noite que é tão fria.

 

Vinde-nos abrir a porta

para podermos cantar

que nós somos os Reis Magos

e a todos queremos saudar.

 

(Que nós somos os Reis Magos

e a todos queremos saudar)

 

II

Dai-nos a vossa amizade

que não pedimos mais nada

partilhamos este canto

seguimos a caminhada.

 

Mas se quereis insistir

no pão chouriça e vinho

não nos faremos rogados

aceitamos com carinho.

 

(Não nos faremos rogados

aceitamos com carinho)

 

III

Que para cantar os Reis

há muito que se lhe diga

e com uma porta aberta

sai-nos melhor a cantiga.

 

E neste grupo de amigos

anda o coração do Povo

a semear nestas ruas

cantigas do Ano Novo.

 

(A semear nestas ruas

cantigas do Ano Novo)

 

NOVO CANTAR DE REIS

(Letra e Música - F. Lopes)

 

I

Nós somos a voz do povo

que os Reis gosta de louvar,

trazemos o Ano Novo

e muita força p´ra cantar.

 

(Trazemos o Ano Novo

e muita força pr´a cantar)

 

II

Andamos p’la noite escura

caia neve, ou faça frio,

sem medo nem amargura

cantamos ao desafio.

 

(Sem medo nem amargura

cantamos ao desafio)

 

            Refrão

Por isso vimos senhores

cantar com muita alegria

p’las ruas da nossa terra

o sonho de um novo dia.

E se “vossências” não gostam

que a amizade cantemos

façam favor de cantar

que nós também ouviremos.

 

III

Não tememos o olhar

que à janela se escondeu,

nós só queremos cantar

ao Menino que já nasceu.

(Nós só queremos cantar

ao Menino que já nasceu)

 

IV

Nós nem levamos a mal

que a porta venham fechar,

porque depois do Natal

o Ano Novo há-de chegar.

(Porque depois do Natal

o Ano Novo há-de chegar)

 

(Refrão)

 

CANTIGA DE REIS

(Letra e música - Popular)

 

‘Inda agora aqui cheguei

já pus o pé na escada

logo o meu coração disse

aqui mora gente honrada.

 

(Logo o meu coração disse

Aqui mora gente honrada)

 

Boas festas Boas Festas

aqui haja neste dia

que nos manda o Rei da Glória

Filho da Virgem Maria.

 

(Que nos manda o Rei da Glória

Filho da Virgem Maria)

 

Ó de casa nobre gente

que nos ‘estais a ouvir cantar

vinde-nos abrir a porta

para podermos entrar.

 

(Vinde-nos abrir a porta

para podermos entrar)

 

Quem diremos nós que viva

pois não q’remos ficar mal

viva a gente deste bairro

vivam todos em geral.

 

(Viva a gente deste bairro

vivam todos em geral)

 

Quem diremos nós que viva

salsa crua no quintal

vivam os donos destas casas

suas famílias em geral.

 

(Vivam os donos destas casas

suas famílias em geral)

 

Vivam também os seus filhos

toda a gente lhes quer bem

se os passarinhos falassem

adoravam-nos também.

 

(Se os passarinhos falassem

Adoravam-nos também

 

Levantem-se meus senhores

desses seus talhos dourados

venham-nos a dar os Reis

já os temos bem ganhados.

(Venham-nos a dar os Reis

já os temos bem ganhados)

 

Quem diremos nós que viva

por cima dos olivais

vivam os jovens desta rua

são o sonho dos seus pais.

 

(Vivam os jovens desta rua

são o sonho dos seus pais)

 

Quem vos vem cantar os Reis

de sorte que as ruas ´stão

certo é que vos quer bem

da raiz do coração.

 

(Certo é que vos quer bem

da raiz do coração)

 

Se nos querem dar os Reis

não se estejam a demorar

nós somos de longes terras

temos muito para andar.

 

(Nós somos de longes terras

temos muito para andar)

 

Nota: Este Cantar de Reis é um dos mais tradicionais e tem inúmeras variações de texto. O que se apresenta é apenas uma selecção das quadras que vão ser cantadas. Os dois últimos versos de cada quadra (entre parêntesis) repetem-se, mas também existe uma versão em que se repetem os dois primeiros versos de cada quadra e depois o mesmo com os dois últimos. 

 

Senhores meus

(Letra e música - Popular)

 

I

Senhores meus que’stais juntos à lareira

nós vimos p’la formosa noite fria

com muito gosto as Boas Festas dar

as Boas Festas tão cheias de alegria.

(As Boas Festas tão cheias de alegria)

 

Refrão

 

Venham depressa que entremos

já nos cheira a salpicão

venha a caneca p’ró lume

é que traz a animação.

(Venha a caneca p’ró lume

é que traz a animação)

 

II

Nós vimos p’la formosa noite escura

pois está frio nem sequer faz luar

nós desejamos que tenham Boas Festas

Paz, muita Paz, alegria em todo o lar.

(Paz, muita Paz, alegria em todo o lar)

 

(Refrão)

 

III

Dai-nos do trigo, nozes e marmelada

dai-nos bom vinho, abri esses tonéis

dai-nos do porco, chouriça bem assada

é o que quer quem vos vem cantar os Reis.

(É o que quer quem vos vem cantar os Reis.)

 

(Refrão)

 

Vimos de noite

(Letra e música - Popular)

 

Refrão

 

Vimos de noite

vimos de dia

trazemos versos

paz e alegria.

I

Vimos dar as Boas Festas

a todos vimos cantar

vimos trazer harmonia

e alegria a este lar.

 

(Refrão)

 

II

Ano Novo, Novo Ano

Ano Novo melhor ano

vimos dar as Boas Festas

para voltar cá p’ró ano.

 

(Refrão)

 

BARCA BRASILEIRA

(Letra e música - Popular)

 

Olha a barca Brasileira

à praia vai a chegar

e lá vem o Ano Novo

os Reis viemos cantar.

 

(E lá vem o Ano Novo

os Reis viemos cantar)

 

Os Reis nós vîmos cantar

ao coração de Maria

os anjos também os cantam

toda a noite e todo o dia.

 

(Os anjos também os cantam

toda a noite e todo o dia)

 

Nota: Repete toda a letra as vezes que seja necessário.

Os grupos constituídos por muitas pessoas utilizam este cantar para “andar caminho”, ou seja, cantando nas ruas, entre as paragens que se fazem à porta das pessoas.

Existem outras versões da “Barca Brasileira”, com mais quadras e até com algumas diferenças na melodia.

 

Contradança

(Letra e música - Popular)

 

I

Vinde todos ó pastores

vinde todos a correr

adorar o Deus Menino

acabado de nascer

 

(Adorar o Deus Menino

acabado de nascer)

 

II

Ó meu louvado Menino

que tão pobre vos achais

deitado em duas palhas

e entre dois animais.

 

(Deitado em duas palhas

e entre dois animais)

 

(Repete tudo)

 

 

F. Lopes

1 de Janeiro de 2015

 
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