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A ROMARIA E PRAIA FLUVIAL

 

de Santo Antão da Barca

 

O texto que se segue foi escrito há quase quatro anos, numa altura em que poucos davam a cara a favor da Barragem do Baixo Sabor. Publicado no Blog que então possuía, com o mesmo título do actual Site, foi lido por largas centenas de pessoas, mas pelos vistos não por algumas que na altura estavam contra a construção da barragem. Hoje, a construção da Barragem está em curso e seguramente que ninguém fará parar a obra, até porque a UE já se pronunciou definitivamente sobre a continuidade do projecto.

Contudo, parece que ficaram na cabeça de alguns certos “fantasmas”, ao ponto de em 2009 ainda virem afirmar que Alfândega da Fé já teve uma Praia Fluvial. Desafio-os a provar tal afirmação, ou a assumir publicamente a mentira.

 

“A Romaria e Praia Fluvial de Santo Antão da Barca”

Um esclarecimento necessário…

 

O Estudo de impacto ambiental da Barragem do Baixo Sabor refere-se a locais com funções turístico-recreativas que vão ser afectados pela construção do empreendimento, mencionando “a Romaria e praia fluvial de Santo Antão da Barca, áreas de merenda e recreio balnear da Foz do Sabor, Ponte do Sabor (Torre de Moncorvo), Azenha do Poço da Cidade/Cilhade, Ponte de Remondes”.

Já me referi, noutro texto, aos “bons” exemplos das “praias fluviais” da Ponte do Sabor (Torre de Moncorvo) e da Ponte de Remondes (Mogadouro) dois locais onde não existe sequer um sanitário, nem qualquer tipo de infraestrutura de apoio a merendas; na verdade, nestes locais nem sequer existe água em condições de ser bebida, a não ser que se beba do próprio rio, o que, como é fácil de adivinhar, não se aconselha muito nestas paragens. Um dia destes, talvez lá para o Verão, hei-de ter oportunidade de mostrar algumas “belas” imagens do estado de limpeza em que ficam estas zonas em período de “veraneio”. Quanto à área de “merenda e recreio balnear da Foz do Sabor”, a única que merece, de facto, essa designação, não vejo como possa ser afectada pela construção da barragem, cujo contra-embalse será construído uns dois ou três quilómetros a montante, não afectando sequer o “bico da ribeira” (foz da ribeira da Vilariça) já que a barragem, propriamente dita, se localizará ainda mais a montante, cerca de dez quilómetros.

 

Mas o objectivo deste texto é falar e mostrar algumas imagens do Santo Antão da Barca. Para acabar de vez com alguns equívocos e, sobretudo, para desmistificar uma grande mentira: a Praia Fluvial de Santo Antão da Barca nunca existiu!

 

 

 

A “PRAIA FLUVIAL” DE SANTO ANTÃO DA BARCA: UMA HISTÓRIA MAL CONTADA!

 

A “Praia Fluvial” de Santo Antão da Barca é uma daquelas mentiras bondosas que mete investimentos autárquicos e comunitários à mistura (“Leader”), mas cujos contornos administrativos não são relevantes para os objectivos deste texto.

Contudo, eu acompanhei de perto todo este processo e não posso, simplesmente, omitir alguns aspectos, deixando que sobre o assunto se continuem a fazer afirmações que não correspondem à verdade.

 

O início da intervenção da Autarquia no Santo Antão da Barca

 

Em 1992, o Boletim Municipal da Câmara Municipal de Alfândega da Fé (nº 5, Abril, página 12) apresentava o seguinte título: “Santo Antão da Barca – Projecto turístico vai arrancar”. A notícia referia-se a uma reunião em que o então Presidente da Câmara Municipal apresentou a ideia no próprio local a várias pessoas de Parada. A foto que se segue documenta esse acontecimento. Na altura a questão da Barragem não estava ainda na ordem do dia.

O Santo Antão da Barca apresentava então um aspecto diferente do da actualidade, como se documenta nas duas fotos que se seguem, tiradas no mesmo ano e antes do início da intervenção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O início da intervenção começou pela (re)construção do caminho de acesso ao local. A abertura deste estradão, que é o que existe actualmente, agora bastante mais degradado, deu origem a um passeio da população, para ver com os próprios olhos o andamento do novo acesso que foi concluído em Maio de 1993.

O arranque das obras até teve honras de bênção da primeira pedra, com a presença do clero, superiormente representado pelo Bispo de Bragança e Miranda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Das infra-estruturas turísticas à “praia fluvial”…

 

O projecto de intervenção contemplava apenas a “Recuperação e Ampliação da Casa do Ermitão para instalação de Unidade de Turismo”. E foi isso que se fez. As fotos que se seguem mostram o projecto e a evolução das obras realizadas. Nesta fase acabou por se efectuar a recuperação da fonte de mergulho, cujas obras não estavam previstas no projecto comparticipado pelo programa “Leader”.

 

 

 

 

 

 

 

 

A questão da “praia fluvial” decorre posteriormente, ainda que a ideia tenha surgido desde o início da intervenção autárquica.

Em 1996, já com as obras comparticipadas pelo “Leader” concluídas, o Boletim Municipal (nº 13, Junho, página 4) apresenta o seguinte título: “Santo Antão – Praia Fluvial em fase de construção”. Neste artigo dá-se conta, pela primeira vez, da eventualidade da construção da Barragem, facto que levará à inundação do Santo Antão da Barca.

Mas em que é que consistiam as obras da Praia Fluvial? Na montagem de um pavilhão que serviria de balneário, implantado num local acima da área das cheias habituais no Inverno e… pouco mais! Alguma sinalética, umas quantas de árvores que secaram quase todas no primeiro Verão por falta de água e nada de acessos ao rio, ou tratamento da zona marginal para fins de praia fluvial. O próprio pavilhão nunca recebeu mobiliário interior, ou seja, sanitas, bacias, chuveiros, etc. Montou-se e ali ficou, até hoje, agora completamente degradado como as fotos documentam.

 

 

 

 

 

O que aconteceu no Santo Antão da Barca, afinal?

 

Este texto não pode deixar a ideia de que esta é mais uma história de maus investimentos de uma autarquia. Podia ser, mas isso também não corresponde integralmente à verdade. Por isso, importa fazer os esclarecimentos necessários.

A ideia de transformar o Santo Antão da Barca num local turístico tinha todo o sentido na época. Contudo, a Autarquia não podia desenvolver ali um projecto inteiramente seu, porque o Santo Antão da Barca (capela e edifícios anexos, bem entendido) é propriedade religiosa, a cargo de uma Comissão, ou Confraria. O que a Autarquia fez foi uma obra que depois entregou a esta Comissão, única entidade responsável pela utilização e manutenção das novas instalações. O que se passou a seguir não é, por isso, da responsabilidade da Câmara Municipal.

Acerca da “praia fluvial” o assunto já não é bem assim. Este projecto era da inteira responsabilidade da Autarquia, que o deu por concluído sem executar todas as obras, nem cuidar do seu funcionamento. Pode ser que até existam algumas explicações plausíveis para que tal tenha acontecido, nomeadamente o facto de a água do rio não assegurar nem caudal, nem qualidade, para o funcionamento da praia fluvial, o que deita por terra essa ideia absurda do “rio selvagem”. A verdade é que nunca houve praia fluvial no Santo Antão da Barca. Nunca ninguém se serviu do pavilhão que mostramos nas fotografias, antigas e actuais. O rio lá continuou livre dos veraneantes, mas não dos areeiros, que legal ou clandestinamente lhe vão sugando e transformando o leito, sem que ninguém se tenha preocupado muito com isso.

 

O QUE É ACTUALMENTE O SANTO ANTÃO DA BARCA?

Do ponto de vista patrimonial os edifícios originais terão sido a capela (cujas dimensões se aproximam da de uma igreja), a “casa do ermitão” e a “casa dos milagres”, anexa à capela. Deste conjunto, já não existe a “casa do ermitão”, que foi integrada no projecto de recuperação já referido.

Os restantes edifícios são posteriores à década de 50 do século passado.

 

O Santo Antão da Barca é actualmente um espaço votado ao abandono. Os esperados turistas, amantes do silêncio e da natureza, afinal nunca apareceram! A praia fluvial pode não existir, mas as instalações no santuário tinham qualidade e eram acolhedoras, por isso muito me espanta que alguns “ambientalistas” só tenham descoberto o Santo Antão da Barca agora e mesmo assim de passagem, pois não me consta que por ali tenham ficado uns dias a passar férias… deixando algum dinheiro à Comissão e contribuindo para que o local tivesse algum sucesso financeiro. Na verdade, é mais fácil escrever uns artigos e uns textos bloguistas sobre as virtudes do turismo de natureza naquelas paragens do que prescindir das praias atafulhadas de gente do Algarve ou até de outras paragens internacionais!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu respeito o sentimento que a população de Parada (e outras pessoas do concelho de Alfândega da Fé e até dos concelhos vizinhos) tem pelo Santo Antão da Barca. Para falar verdade, conheço tão bem o local e a zona envolvente até à Quinta Branca, que não tenho vergonha de reconhecer que ficarei com saudade destes locais quando as águas os cobrirem. Mas não tenho dúvidas sobre um aspecto: a construção da Barragem poderá constituir a “salvação” do próprio Santo Antão da Barca, edificado noutro local, certamente, mas com melhores condições de acesso, com infra-estruturas planificadas de raiz, com uma capela construída à semelhança da actual e utilizando o essencial dos materiais que agora tem, nomeadamente os granitos e beneficiando do atractivo de uma nova realidade que será um autêntico mar por onde a “barca” poderá navegar novamente, transportando (e então acredito) os amantes de uma natureza que não morrerá, apenas se transformará. Afinal, não é o Santo Antão da Barca o produto de uma transformação? Não foram os do povoado de Miragaia e outros vizinhos do vale que construíram a actual capela, por ordem dos Távoras, possivelmente sobre as ruínas de uma mais anterior? Não se foram acrescentando depois outras construções, umas mais cuidadas do que outras, não se foram mudando até as características da própria Romaria? Por que razão não havemos de acreditar que a “alma” do Santo Antão da Barca sobreviverá a mais esta “mudança”?!

F. Lopes, 26 de Dezembro de 2005

 
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