Regresso Versão para impressão
Escrito por Administrator   
Quarta, 28 Setembro 2011 21:55

REGRESSO…

RETORNO…

TRANSTORNO…

OU APENA… ESTOU AQUI!

 

Podia ter sido num dia qualquer mas calhou hoje olhei para o calendário que neste atribulado quotidiano os dias vão sendo tão igualmente negativos pelas notícias que nos chegam que já nem faz diferença a distinção mas enfim seguimos em frente ou para o lado e tantas vezes para trás mas como dizia calhou mesmo neste dia e acontece que estamos a 28 de Setembro. Acho eu e posso estar baralhado que foi o dia de uma dita Maioria Silenciosa já lá vão uns quantos de anos muitas historias e outras tantas demagogias para não falar das mentiras dos enganos e dos desenganos mas nunca pude perceber o que era essa tal maioria silenciosa possivelmente foi apenas a ante-câmara da morte lenta de um suposto sistema democrático construído com cimento podre, ferro usado e mão-de-obra barata agora está tudo a ruir e já nem é necessário sismo ou vendaval cheia ou temporal cai apenas tão naturalmente como enganosamente se construiu com a única diferença de que não pagam os construtores mas apenas os mirones Santa Engrácia nos valha eu que nem sou dessas coisas de acreditar piedosamente no mistério da vida e prefiro o prático ao impraticável entre outras formas de estar que agora não vêm ao caso.

Pois aqui estou de regresso de retorno com transtorno ou simplesmente para dizer que ainda estou aqui e que se morri foi apenas um pouco no desencanto da vida e na idade que o tempo não perdoa e não há palavras que o enganem como não continuarão a haver palavras que me obriguem a escrever diferente apesar dessa acordo desacordado ou ensonado embora como sempre disse e pensei as palavras depois de escritas são elas próprias e quem as escreve já não conta para coisíssima nenhuma…continuando!

Tinha de escolher algum assunto ou a Barragem que está a crescer aqui ao lado e sempre defendi, ou o Santo que (final e felizmente) vai mudar de lugar e ainda bem (não se esqueçam de aparecer no dia 9 de Outubro na Casa da Cultura Mestre José Rodrigues auditório Dr. Manuel Vicente Faria vai ser bonita a iniciativa da Confraria e aproveito também para convidar os “passarinheiros” pseudo-ambientalistas que nunca responderam às perguntas que fiz…) ou a estrada do futuro num território cujo futuro é apenas resistir tanto demorou a dita estrada agora IC5 mas se não dá para vir sempre dará para ir não sei o quê mas sempre dará para alguma coisa embora venha tarde também podia falar de outra estrada ali ao lado que dá pelo nome de IP2 que afinal ainda não fica construída sei lá porquê talvez falta de dinheiro publico que sempre foi minguado nas nossas terras ancestrais ou por erro de projecto que também já foi tempo de se enganar o Zé povinho que estas coisas acontecem por acaso o certo é que não desgraçaram o coração da Vilariça bem podia com o que isso custaria e euros mas acabarão por desgraçar a região… E também podia ir uns quilómetros mais adiante e falar da malfadada A4 mas é bem feito que falem os que a defenderam como cegos que a cegueira é o maior mal do mundo sobretudo aquela que ataca os que vêem muito bem mas fazem de conta que os restantes somos cegos salvo seja os que sendo na maior parte dos casos vêem melhor que os restantes.

Pois passando a repetição do início de parágrafo que neste texto é raro como as virgulas e os pontos finais para que hei-de eu gastar tempo em semelhantes coisas se os políticos não gastam tempo nenhum em coisa nenhuma e eles ganham para o exercício da coisa e eu para exercício de coisa nenhuma no que toca a este desidrato como dizia tinha de escolher um tema. E escolhi desde o início. E escolhi com tanta força que ao fim de quase um ano de ausência neste espaço que é meu mas também dos duzentos mil visitantes que por aqui passaram nestes anos me obrigo a declarar solenemente que regresso EM GUERRA E DE ARMAS NA MÃO.

Parafraseando um poema/música de José Mário Branco (nesta guerra acabarão por entrar outros poemas e outros escritos da Nação) “a cantiga é uma arma” mas qualquer escrita também (para quem leu Assis Pacheco sabe isso) e eu não me vou fazer rogado. QUEREM ACABAR COM AS NOSSAS FREGUESIAS E A SEGUIR VÊM OS CONCELHOS.

Apetecia-me fazer como os surrealistas ou os nossos modernistas do início do século passado e fazer desde já um manifesto mas outras figuras ilustres já o deviam ter feito e estão todas silenciosos já percebem agora aquela da Maioria Silenciosa? não era ingenuidade minha a ver no que isto vai dar… tanto se lhe faz como se lhe deu desde que os euros continuem a entrar para o projectozinho cultural ambiental teatral televisivo jornalístico politico financeiro e por aí adiante não lhe mexam nos interesses que o interesse deles não sai da porta da casa. Vão para o raio que os parta!

Não concordo com a extinção das Freguesia ou dos Concelhos pelo simples facto de que ainda ninguém demonstrou com seriedade que essa seja um problema do País. Mesmo fazendo as contas ao que custam as estruturas de representatividade democrática não consigo entender o que é que isso significa no bolo nacional das milhentas de aberrações organizacionais que temos e vamos continuar a ter só para manter clientelas partidárias seja lá que for que esteja no Governo este o anterior muitos outros antes destes e sabe-se lá quantos mais a seguir mas a questão não está aí. Os incrédulos já perceberam o que perdemos por não se ter avançado com as Regiões Administrativas ou teremos de fazer um desenho do tamanho do País para perceberem? E agora quantos desses vão subscrever subservientemente a amputação das Freguesias e mais tarde dos Concelhos em nome de uma gestão mais equilibrada de uma representatividade democrática de duvidosas consequências em nome de uma nova ordem de caciques partidários?!

Pois eu não faço nenhum manifesto surrealista mas manifesto desde já a minha posição e declaro que ela não é negociável:

1º-Só apoio UMA reforma administrativa que tenha como base a constituição das Regiões Administrativas;

2º-Não aceito o argumento financeiro para mudar o actual quadro administrativo; no passado as mudanças com base nesse pressuposto revelaram-se todas ineficazes e não existe nenhum indicador que afiance agora resultado melhor;

3º-Não são as divisões geográficas que custam dinheiro ao País; o que EVENTUALMENTE custa dinheiro são os modelos de representatividade e as formas como essa representatividade de executa; Juntas de Freguesia, Assembleias de Freguesia, Plenários de Freguesia, Assembleias Municipais e Executivos Municipais são coisas que podem ser discutidas e alteradas mas isso não exige a mudança das referências geográficas;

4º-Um País que tem cerca ou mais de um terço de economia paralela onde os sistemas de controlo só são verdadeiramente eficazes para quem trabalha por conta de outrem e em particular do Próprio Estado que tem disseminadas pelo território nacional repartições de finanças que não saem porta fora para “ver” o que todos vêm que tem serviços locais de segurança social cegos surdos e mudos sem capacidade para proteger os dinheiros públicos esbanjados em quem não quer trabalhar sob a capa dos coitadinhos que necessitam de inserção social que se prolonga por toda a vida que tem serviços de emprego sem capacidade formal para garantir as regras de ocupação de trabalho ainda que pontual e provisória, que tem escolas onde os pais continuam a achar que sabem mais de educação que os professores e os respectivos filhos são príncipes e princesas de um conto do fadas oriundo de um novo riquismo absurdo ou pior ainda daquelas situações que acabei de relatar…um País destes não se pode dar ao luxo de deitar porta fora o nosso sistema de representatividade democrática sem, pelo menos, PORRA com A TROIKA, um REFERENDO!

E tenho dito. Está aberta a época da indignação.

F.Lopes

28 de Setembro de 2011

Actualizado em Quinta, 20 Outubro 2011 01:36