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ALFÂNDEGA DA FÉ EM LUTA (II)
Olhem para esta imagem tirada da primeira página do Jornal de Notícias do dia 29 de Março de 2012 (cinco meses depois…) e reflitam. Se acabar com Freguesias já é inaceitável, fiquem sabendo que o Governo quer mesmo acabar com alguns Municípios e o nosso é um dos que pode estar em perigo. Se isso foi ou não acordado com a troika, desde o início, ainda saberemos, mas acho que essa questão não é, para já, a mais relevante. Relevante é que não repitamos a história contada pelos poetas cujas palavras aqui vos deixo.
Na primeira noite, eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Vladimir Mayakovsky (1893-1930)
Primeiro levaram os negros, Mas não me importei com isso, Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários, Mas não me importei com isso, Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis, Mas não me importei com isso, Porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados, Mas como tenho o meu emprego, Também não me importei. Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)
Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram o meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram o meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e levaram-me; já não havia mais ninguém para reclamar...
Martin Niemöller (1892-1984)
F. Lopes, 30 de Março de 2012 |