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Igreja Matriz de Sambade Altar-mor necessita de ser restaurado
Classificada por alguns como construção joanina (o nome por que ficaram conhecidas as estruturas barrocas edificadas de acordo com a “moda” do reinado de D. João V) o exterior desta igreja é imponente e levantou ao longo dos tempos um véu de dúvidas quanto às razões da sua construção numa terra que sendo a maior aldeia do concelho de Alfândega da Fé nunca foi Vila nem recebeu (que se conheça) qualquer carta de foral, muito embora possa ter sido um couto religioso. O Certo é que Sambade tinha já, no tempo em que Alfândega da Fé recebeu carta de foral de D. Dinis (1294) um estatuto especial, tanto mais que a sua integração no concelho foi objecto de “negociação”. Possivelmente foi esse estatuto, muito ligado à Igreja, que lhe deu a importância que teve (e tem) ao longo dos tempos e acabaria por justificar a construção de um edifício religioso desta dimensão e importância patrimonial, a que se acrescentam outras edificações do mesmo género (capelas). Naturalmente que o actual edifício da Igreja Matriz, sendo do século XVIII, substituiu um anterior, muito mais antigo, de que existe apenas notícia, mas nenhuma descrição. Por sua vez, o Santuário de Nossa Senhora das Neves, que se localiza na freguesia (junto à aldeia anexa de Covelas) têm igualmente um historial antigo, que importava estudar convenientemente.
Pois é o altar-mor deste edifício religioso que o padre Francisco Pimparel pretende restaurar, contribuindo assim para valorizar este importante conjunto patrimonial. O assunto até não seria difícil de resolver, se houvesse entendimento com a Comissão de Festas de 2008, que pelos vistos teve um lucro razoável mas não está disposta a investir no espaço que, ao fim e ao cabo, serve de “aconchego” às iniciativas que produzem esses mesmos lucros, uma vez que, como acontece em todas as terras, são as doações à “Santa” que engrossam os cifrões. Parece-me a mim que investir na valorização do património religioso é uma boa opção para gastar os dividendos do que se pede em nome dos santos, mas como o assunto não me diz respeito, limito-me a registar o facto de que não estou a ver muito bem como é que este ano a próxima comissão de festas vai resolver o problema se não tiver “santa” para justificar os festejos. Certamente que o bom senso há-de prevalecer e Sambade não deixará nem de fazer a sua bonita festa nem de preservar o seu importante património religioso. Ora, as obras do restauro vão custar cerca de 18000 euros. A Fábrica da Igreja dispõe de 6000 e o padre Pimparel conseguiu do padre Cordeiro (natural de Parada e a exercer em Roma há uns bons anos) uma generosa contribuição de 10000 euros. Ou seja, não será por dois ou três mil euros que o dito restauro deixará de se fazer e certo é que muitas das pessoas que lerem este texto darão um pequeno contributo, o que é muito fácil de fazer, utilizando a conta bancária da Fábrica da Igreja de Sambade, com o NIB 003500420000256113058. Aliás, esta nem é a primeira vez que é feito um apelo para “acudir” à Igreja de Sambade. Há umas décadas talvez nos anos 40, princípios de 50 do século passado, uma faísca caiu na torre da igreja, danificando-a e estragando o relógio (possivelmente aquele cujo velho mecanismo ainda se encontra na igreja, como documenta uma das fotos da galeria de imagens). Foi efectuado um peditório para as obras de restauro e até o Dr. Manuel Faria escreveu uma melodia para o texto que aqui transcrevo:
Sambade a nobre aldeia está de luto e chora a velha torre que perdeu. Um raio que caiu do céu em bruto a voz do seu relógio endoideceu.
Já não dá escola o bom Vilares a chorar passa as noites inteirinhas p’ra maior de todos os azares já não advoga o Júlio das Meirinhas.
Já não há alegria nas raparigas sorrisos já o perderam de todo e da garganta já não há cantigas só há por toda a aldeia luto e dor.
Ainda no âmbito das celebrações da Páscoa, Soeima será este ano o lugar de realização da Via-sacra ao vivo, no Sábado de Ramos, pelas 21.00 horas.
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F. Lopes, 02 de Março de 2009 |