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No Centro Cultural Mestre José Rodrigues Até 28 de Fevereiro
Exposição “Marcos Pombalinos de Demarcação”
Aberta em 5 de Fevereiro, esta exposição fotográfica do Museu do Douro, integrada nas Comemorações dos 250 anos da Região Demarcada, traz à memória um património até agora pouco divulgado que são os marcos de demarcação que traçavam a delimitação da região autorizada a produzir os vinhos da Feitoria.
A publicação que serve de suporte a esta exposição, coordenada por Natália Fauvrelle, é de 2007 e parte de dois textos essenciais que são o decreto nº 35.909 de 1946, que classifica os marcos graníticos mandados colocar em 1757 pela Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, uma medida tão inédita quanto polémica do Marquês de Pombal e o estudo de Álvaro Fonseca, “Marcos Pombalinos”, de 1951, ambos reproduzidos na integra.
A obra a que me refiro é hoje um documento bibliográfico incontornável para quem se queira dedicar ao tema e constitui um autêntico roteiro patrimonial desse enorme espaço transmontano e alto duriense que é hoje considerado património mundial, ainda que os limites aqui definidos sejam muito distintos dos actuais e não incluam, por exemplo, a freguesia de Vilarelhos no concelho de Alfândega da Fé. Na realidade, esta exposição não poderia abranger nenhuma área do concelho de Alfândega da Fé. Embora subsistam, pelo menos para mim, algumas dúvidas quanto à época em que parte do território do concelho de Alfândega da Fé passou a integrar a região demarcada, ou pelos menos ficou na sua orla e tal facto impulsionou o desenvolvimento da cultura da vinha, mesmo que confinada apenas aos chamados “vinhos de ramo”, o certo é que recorrendo ao estudo de Gaspar Pereira, “O Douro e o vinho do Porto” (Edições Afrontamento, 1991), só podemos afirmar que este concelho, na sua totalidade, integrou a região demarcada com a legislação de João Franco, de 1907. Mas a história, no que respeita a este concelho, pode muito bem ser outra e está por contar.
Regressando ao decreto de João Franco, de 1907, deixo ainda uma outra nota curiosa, que é o facto de a então Comissão de Viticultura da Região do Douro ser constituída por vogais concelhios e uma Comissão Executiva, sendo que Alfândega da Fé tinha um daqueles vogais (Carla Sequeira, “A questão duriense e o movimento dos Paladinos, 1907-1932”, Cadernos da Revista Douro – Estudos e documentos, 2000) desconhecendo actualmente quem seria essa pessoa. Na época e olhando apenas para a Vilariça, Camilo de Mendonça, em Vilarelhos (herdeiro do Morgado) e António Ochôa, em Santa Justa, eram os homens fortes da agricultura desse tempo. O primeiro seria pai de Joaquim Mendonça, fundador da primeira Comissão Municipal Republicana e o segundo seria genro de Simão Machuca, natural de Assares, de família possivelmente com ligações à Maçonaria, também fundador daquela comissão e após o 5 de Outubro primeiro Presidente da Câmara Municipal Republicana.
E tudo isto a propósito de uma exposição que vale a pena visitar e explorar pedagógica e educativamente.
F. Lopes, 18 de Fevereiro de 2010 |