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PENSAR PORTUGAL

 

Para quem me conheça, sobretudo no que ao Futebol diz respeito, sabe que não sou pessoa para perder muito tempo com estas coisas. Mas há dias e dias! Sendo Benfiquista de infância, que é como quem diz, tendo alinhado por um clube quando a idade era apenas bondade e o Eusébio a estrela, convenhamos, não tinha muito por onde escolher. Mas nunca escolhi a modalidade como referência.

Entrei poucas vezes num estádio de futebol (Luz, Antas e Beira-Mar em jogos de futebol e 1º de Maio-Braga, numa iniciativa de atletismo) e raramente vejo um jogo do princípio até ao fim, mesmo que esteja num espaço onde a televisão o permita. Em minha casa nem vos digo como é, mas adianto um cheirinho: quando joga o Benfica começo a ver, quando jogam os outros vou ouvindo e, no final, tenho sempre direito a desconto de tempo, ou o aparelho está suficientemente alto para ouvir, ou alguém tem de me vir dizer que entrou mais um golo! É assim a minha fraca relação com o Futebol. Não conheço o nome dos jogadores, se me disserem alguns não sei, em boa verdade, dizer de que clube são, se são fracos, medianos, bons ou excelentes, em que posição jogam e por aí adiante. Já nem vos digo nada sobre treinadores. Naturalmente que sei quem são alguns deles e o percurso que tiveram, pelo menos o caminho mais próximo de nós em termos temporais (refiro-me a treinadores, mas também a alguns jogadores - Mourinho e Cristiano só não conhece quem está louco...) mas avancem comigo numa conversa dessas e vão perceber que eu não percebo nada de nada e em pouco tempo estou a perguntar de que clube é este ou aquele jogador! Não sou, definitivamente, um homem do futebol. E podia contar-vos algumas histórias engraçadas para perceberem isso. Mas acho que no meio deste drama pessoal (ou desta forma de ser desinteressada) tenho uma coisa satisfatória: seja em que circunstância for, ainda que pontualmente no local concreto em que me encontre a presenciar a situação tenha à-vontade suficiente para "chatear" alguns amigos, não gosto de ver perder uma equipa nacional contra estrangeiros; também não gosto de ver uma equipa perder em território nacional por culpa das razões que não são a razão do jogo e neste particular incluo o meu Benfica de infância.

É assim que eu me posiciono em relação ao Futebol. Mas falta um pormenor, que nestas coisas não há cidadão sem defeitos e quem não os tiver que atire a primeira pedra: sou apoiante incondicional da nossa Selecção Nacional (não importa quem joga, quem fica de fora, ou quem é o treinador...) e esses são, verdadeiramente, os jogos que acompanho, ainda que, mesmo assim, não veja na sua totalidade, mais por nervosismo do que por vontade ou opção. Sou assim, o que é que querem?! Tenho o direito de não perceber nada de Futebol, de até achar que em boa parte ele não passa de um grande negócio e dessas coisa todas que os mais entendidos poderão acrescentar melhor do que eu. Mas sou Português, mesmo que em muitas circunstâncias isso seja um sufoco, uma desgraça e até um mal menor!

E gosto de me questionar como é que tanta gente é como eu à volta de um pequeno objecto redondo e tanta gente como eu não é igual à volta de outras coisas também importantes, redondas ou quadradas, triangulares ou rectangulares, curvas ou rectilíneas e por aí adiante...

Afinal, canta-se o Hino, "Heróis do Mar, nobre Povo Nação valente", num recinto de jogo, repleto de gente de todas as condições sociais, de todas as "almas" clubísticas, dos mais diversos pensamentos, das mais diversas intenções, das verdades e das mentiras e...tudo por Portugal! Noventa minutos mágicos, nem Cristo conseguiu tal proeza, que precisou do terceiro dia para tirar a prova dos noves aos crentes e descrentes, se é que na ocasião tal rótulo existia. Noventa minutos de glória conseguida apenas por onze atletas que resolveram, pelos trinta vinténs, ou sem vintém nenhum, mostrar que ainda existe uma grande diferença entre um batatal e uma planície de jogo, que ainda existe uma grande diferença entre querer e ser capaz!

Não escondo. Sinceramente, não escondo que vaticinei para mim mesmo que gostaria de uma vitória muito expressiva, de um jogo com muita qualidade, de uma desforra (peço desculpa por este exagero) não propriamente contra os adversários em campo (cujos adeptos, lá e cá, não mereceram outra coisa) mas contra aqueles que continuam a pensar este nosso País como uma Província da Europa, enfeudada a um senhor qualquer, contra os que tendo salvo uma França periclitante nos obrigaram ao batatal de Zenica, com Sarajevo bem mais perto! Mas quem pensa o senhor Platini que engana?!

Mas eu percebo muito pouco de futebol e por aqui me quero ficar.

Retenho, isso sim, a união dos Portugueses em torno da nossa Selecção Nacional. É certo que umas vezes união no "ódio", outras no "amor". Assim mesmo, à boa maneira Lusitana. Por que não no resto das coisas que nos atravessam todos os dias o estômago, o pâncreas e a vesícula, para não falar já da carteira, que como sabem é o órgão que mais dói nos últimos tempos? Não valia a pena esta união para vaiar ou aplaudir, sempre, sem os tais clubismos, a desgraça que nos vai na alma, o sonho que nos morre todos os dias, a esperança que enterramos em cada esquina, a luz ao fundo do túnel que não há meio de acender e se acende apaga, liga, desliga, a canseira que é levantar em cada manhã e ganhar coragem para dizer: bom dia Portugal, ainda cá estamos, prontos para mais um desafio?!

Foi assim que eu senti estes 6 a 2. O que é que querem?! Não sou capaz de sentir de outra maneira e não acho que isso seja crime! Obrigado à Selecção Nacional. Pelo menos deu-me o prazer de pensar noventa minutos Português. Os minutos após já sei que tenho de ser eu, com outros, a ganhar e a conquistar. Cá estaremos.

F. Lopes

16 de Novembro de 2011

 
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