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O ENTRUDO DA NOSSA VIDA - I

 

Eu tinha na minha mente, quando imaginei este texto, dedicar ao nosso Primeiro Ministro, à sua equipa e a uns quantos de Putas, desculpem, o cursor não funciona, Deputados da Nação, um texto de Bertold Brecht, mas o raio da minha biblioteca está um caos e não encontrei o livro que pretendia. Antes que a ideia se me varra da memória vou continuar o que aqui me trouxe, várias coisas, embora só fale de algumas e para substituir aquele poeta serve-me muitíssimo bem este outro, de nome Manuel António Pina que em 2011 ganhou aquela coisa “insignificante” chamada Prémio Camões… (o que aconteceu às crónicas do Pina, no Jornal de Notícias, alguém me sabe dizer?...que já só leio metade do pasquim e dessa metade a outra metade é sem os óculos…e sem óculos não leio nada…) e na “Carta a Mário Cesariny no dia da sua morte” começa com estes quatro versos: “Hoje soube-se uma coisa extraordinária, / que morreste, talvez já to tenham dito, / embora o caso verdadeiramente não / te diga respeito, e seja assunto nosso, vivo.” (in  “Como se desenha uma casa” -2011)

Pois dedico, com a devida vénia ao autor, que me desculpará pelo pobre destino que dou ao seu talento, estes quatro versos ao nosso Primeiro Ministro. Sei que será maçada grande comprar o livro por inteiro e ler toda a “carta”, mas enfim, se como noutros tempos outro grande estadista a propósito de uma obra de outro grande escritor (que mais tarde viria a ser apenas e também essa coisa “insignificante” a que chamam Prémio Nobel…) se ficar pela oitava página já não será muito mal. Pelo menos ficará a saber a ficha técnica e a dedicatória que a oitava está em branco e sempre poderá escrever lá alguma coisa para poupar papel ao erário público… Que isto da morte, pode crer senhor Primeiro Ministro, é mesmo assunto nosso. E vivemos e havemos de continuar a viver para lá da própria morte.

Olhe, pode começar por perceber a morte do Entrudo. Não a morte da folga. A morte da coisa em si mesmo. Morre todos os anos há centenas ou milhares de anos. Acha que vai sobreviver à sua morte?! “Mata as tradições e quer o Povo na mão / Ou é burro, ou é aldrabão!”

Hoje estou virado para este lado. O das palavras transformadas em poesia e deparei-me com esta delícia que também lhe dedico, aos seus ministros e a uns quantos de capangas de sua senhoria lá naquela coisa a que, por respeito, ainda chamamos Assembleia da República:“Dou as palavras, / não como flor / para sorver o aroma / unicamente; / Dou as palavras / como uma faca / para cortar o pão / de toda a gente.” (Edgar Carneiro, in “A faca e o Pão”, 1981)

Cortar o pão de toda a gente…mas não, prefere cortar o pão de apenas alguma gente e preferencialmente o pão de quem já nem é gente por tanta míngua e fome que volta a passar depois de ter sonhado “fascismo nunca mais”!

Mas oiça lá, senhor Primeiro Ministro, não pense que por se repetir vezes sem conta que “nós não somos como a Grécia” Portugal não se venha a transformar numa Grande Grécia!

Como se diz cá na minha terra,“não se estique que a corda é curta” e olhe que já se esticou demais! Se não sabe, nem tem tempo para ler um pouco da história deste país, peça aí a um qualquer “asppone” (tradução: assessor para porra nenhuma… não fui eu que inventei, mas adoro!) dos muitos gabinetes que tem, que lhe faça um resumo e lhe vá lendo aos poucos. Esse Povo que quer do seu lado é o mesmo que sempre foi capaz de derrotar os ditadores, os exploradores e os mentirosos!

Pronto, como estava quase a chegar ao Hino Nacional“contra os canhões / marchar, marchar.” eis que me trazem aqui de mão beijada o tal poema com que queria ter começado mas que também serve para finalizar. Aí vai, senhor Primeiro Ministro e leia-o com muita atenção, que parece escrito ontem. Substitua alguns nomes por outros que também vamos conhecendo, por exemplo “Fuhrer” por… isso o senhor sabe!

 

“Dificuldade de governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas

Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?”

 

F. Lopes, 17 de Fevereiro de 2012.

 
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