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(O ENTRUDO DA NOSSA VIDA - II)

 

ENTRUDO EM ALFÂNDEGA DA FÉ …

 

A VILA QUE DEU SER

A TUDO QUANTO SOMOS COMO MUNICÍPIO...

SEM ENTRUDO!

 

 

VERGONHA! Simplesmente vergonha! Gostem, ou não gostem, queiram, ou não queiram, felizmente este espaço é pago do meu bolso e não pode ser silenciado de qualquer maneira que não seja ilegal!

“Ilegal”, “absurda” e reveladora da mais pura incompetência  Cultural, foi este facto: depois de muitos anos de  ENTRUDO, à 3ª Feira, na nossa Vila, eis que uns “iluminados” decidiram… que o desfile do Entrudo, da 3ª feira, que é o dia da discussão, se fizesse, vejam lá, não pelas ruas da sede do concelho… mas em Sambade! Haja decoro e que alguém venha explicar o inexplicável! Haja honestidade intelectual, respeito pelas tradições e alguém venha comentar, com argumentos válidos, o que aqui vamos dizer!

1º - A nossa Autarquia deu tolerância de ponto aos seus funcionários. Aplaudi. Pela parte que me toca na responsabilidade administrativa, se não fiz o mesmo, para lá caminhei. Mas por que razão? Para demonstrar que estava contra a decisão do Governo?! Não, para demonstrar que a Cultura e as Tradições não se mudam por Decreto ou por vontade expressa nos telejornais (aliás, não existe nenhuma informação oficial a dizer o contrário, nem a explicar o contraditório!).

2º - Se uma Autarquia, no âmbito dos seus poderes, tem capacidade para contrariar a decisão de um Governo, no mínimo, tem de justificar a sua decisão, sob pena de estar apenas a encarreirar por onde outros abriram caminho e a não saber por que razão toma decisões. Se assim não for, teremos de compreender que hoje se toma esta atitude porque o Governo “é do outro lado” e amanhã se tomará outra diferente, porque o governo “é do nosso lado”! Entre esta postura e a dos tempos de Salazar e Caetano não consigo encontrar grande diferença…mas quem sou eu?! É dura a apreciação? Esperem pelo que vem a seguir…

 

3º - Supus eu, e não há Santos que me valham nesta inocência, mas quem sou eu?!... que tolerância de ponto municipal em Alfândega da Fé, contra a vontade de quem nos desgoverna (e como nos desgovernam há tantos anos…) fosse sinónimo de mobilização, nesta Vila centenária como Município e milenar de origem, a única que sempre tivemos e nos deu direito a ser o que somos, onde tudo se fez e desfez, onde sempre tudo se decidiu, para o bem e para o mal…para reclamar os direitos a que temos direito. O Tribunal que vai fechar… e o resto que fechará também, na passividade dos mortais que ainda vivem, na deslembrança dos que não têm memória, na atrofia dos que só vêem aonde o olho enxerga para ganhar mais uns tostões e enriquecerem pobremente, como se a fortuna da vida se resumisse a uma conta bancária, ou a patrimónios mais ou menos duvidosos! Estou a ser cruel?! Pois estou. Porque estou desiludido com uns quantos de palermas da nossa praça púbica. Não sei se têm nome, mas isso também não importa muito. Sei apenas que na História da minha terra terão direito a uma nota de rodapé e quase seguramente em tom jocoso…

4º - Mas a verdade é que o raio da tolerância de ponto não serviu para nada disto! Os funcionários autárquicos não trabalharam, os restantes (que, tirando as escolas, também não são assim tantos) por lá andaram, nos locais de trabalho, a gastar dinheiro em luz e aquecimento… E vai daí, o Entrudo, as tradições e sei lá mais o quê… que serviram de alarido para isto tudo (alarido justo a nível nacional, sobretudo nas localidades onde os investimentos directos e indirectos têm um peso económico substancial…diria mesmo que tudo somado dá mais dinheiro ao país que a burrice do Primeiro Ministro…) afinal…Afinal…. Afinal….

5º - Afinal, a montanha pariu um rato em Alfândega da Fé! Mais uma vez, para que conste. Ingleses, portugualeses e quejandos, já temos de tudo! Agora foi o Entrudo que se mudou de ares. Sinceramente, se fosse o dito, também me mudava de ares. Mais que não fosse para arejar de tanta mediocridade cultural e tanta desatenção política.

Então faz-se o Entrudo (Carnaval…como teimam alguns em chamar-lhe…) no Domingo e justifica-se a tolerância de ponto na 3ª Feira… com que argumento? Vamos fazer o corso para Sambade?! Não brinquem comigo! Nem desmereço de Sambade, nem de localidade nenhuma do concelho. Aliás, Sambade tem uma dinâmica própria, com altos e baixos, com avanços e recuos e, pelo meio, de tempos a tempos, uns quantos de “heróis” (sobretudo jovens… os poucos que ainda resistem) que mantêm a chama viva. Louvo os de Sambade (os que estão e os que não estão) e não lhes guardo qualquer tipo de reserva. Não è de Sambade que aqui falo, nem da sua gente. É de Alfândega da Fé, a sede do Município. Ou já não será, ou para alguns será apenas quando convém?! Ou, pior ainda, já contam alguns com a sua extinção num modelo de gestão das finanças públicas que (embora alguns se esforcem por fazer crer que assim é) já não vem apenas dos tempos da Troika?

6º - Que eu me recorde, no nosso concelho, a única iniciativa (pelos vistos hoje também extinta) de Entrudo que se manteve, dentro dos parâmetros da tradição cultural, foi a “arreata dos burros” em Vilarchão. O resto, fez-se uns anos, outros não, com mais ou menos respeito pelo sentido original e, de uma forma geral, o Entrudo foi-se celebrando, com ou sem pompa e circunstância, um pouco em cada localidade onde havia jovens e “idosos” entrudescos disponíveis. A originalidade no vestir era a única inovação que de ano para ano se transmitia. O sentido era o mesmo, a razão podia mudar (pouco, diga-se) mas o resultado acabava sempre na confraternização, pesem os copos a mais que na queima do “danado” Entrudo e depois das quadras de escárnio e mal-dizer, deixavam mossas que muitas vezes desaguavam naquela coisa insensata a que nos habituamos a chamar…zaragata!

Recordo-me, como certamente todas as pessoas de boa memória se recordarão, que há uma vintena de anos o Entrudo sobrevivia porque a então Escola C+S dele não se esqueceu! Em Alfândega da Fé, o Entrudo, como muitas outras tradições e vivências culturais, têm sido menorizadas, sobretudo pela incompreensão de quem nunca lhes percebeu o verdadeiro alcance cultural. (Lembrem-se dos Reis…e de como foram recuperados e agora, mais recentemente, desse “saudosismo” que deu em muita gente que desabou a cantar e a dançar as marchas do Dr. Faria sem saber porquê, nem por que não…se estou enganado digam-me lá onde está a vontade de Homenagear o Homem de forma honesta e verdadeira…).

Este texto poderá parecer excessivo. Mas olhem que não. Digam-me lá se alguém se lembra de alguma vez não ter visto na Vila de Alfândega da Fé, um careto que fosse no dia de Entrudo (3ªFeira). Aliás, digam-me lá se, para além do cortejo das escolas, que já leva mais de duas décadas, o nosso Entrudo, grande ou pequeno, não foi sempre na 3ª Feira?! Digam-me também se nos últimos anos, muitos anos também, aqueles que deram de novo alma e vida ao Entrudo (não importa se mais ou menos dentro da tradição) não nos deliciaram sempre com o desfile de 3ª Feira?!

Pois este ano não. A Vila ficou deserta. Os cafés e restaurantes vazios. Os negócios à espera de melhores dias e os serviços públicos obrigados a abrir à espera de ninguém! Mas a Autarquia deu tolerância de ponto…e a terra ficou sem Entrudo!

Tenham paciência! Alguém se equivocou e alguém tem de pedir desculpas.

 

F. Lopes, 21 de Fevereiro de 2012.

 
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