Versão para impressão

Igreja Matriz de Sambade

Altar-mor necessita de ser restaurado

 

A Igreja Matriz de Sambade é o maior e mais imponente edifício religioso do concelho de Alfândega da Fé, sendo património classificado. Ao longo dos últimos anos tem merecido justa atenção da autarquia e até das instituições públicas responsáveis pelo património, mas apesar de todos esses esforços ainda falta restaurar condignamente os seus altares, sobretudo o altar-mor e essa é a tarefa a que agora se propõe o pároco da freguesia, Francisco Pimparel, que lança o apelo aos paroquianos, amigos de Sambade e alfandeguenses em geral, para que dêem uma ajuda.

 

 

 

Classificada por alguns como construção joanina (o nome por que ficaram conhecidas as estruturas barrocas edificadas de acordo com a “moda” do reinado de D. João V) o exterior desta igreja é imponente e levantou ao longo dos tempos um véu de dúvidas quanto às razões da sua construção numa terra que sendo a maior aldeia do concelho de Alfândega da Fé nunca foi Vila nem recebeu (que se conheça) qualquer carta de foral, muito embora possa ter sido um couto religioso. O Certo é que Sambade tinha já, no tempo em que Alfândega da Fé recebeu carta de foral de D. Dinis (1294) um estatuto especial, tanto mais que a sua integração no concelho foi objecto de “negociação”. Possivelmente foi esse estatuto, muito ligado à Igreja, que lhe deu a importância que teve (e tem) ao longo dos tempos e acabaria por justificar a construção de um edifício religioso desta dimensão e importância patrimonial, a que se acrescentam outras edificações do mesmo género (capelas). Naturalmente que o actual edifício da Igreja Matriz, sendo do século XVIII, substituiu um anterior, muito mais antigo, de que existe apenas notícia, mas nenhuma descrição. Por sua vez, o Santuário de Nossa Senhora das Neves, que se localiza na freguesia (junto à aldeia anexa de Covelas) têm igualmente um historial antigo, que importava estudar convenientemente.

Recentemente foi publicada uma obra que vem desvendar alguns dos “segredos” em torno da Igreja Matriz de Sambade e, ao fim e ao cabo, ajudar a perceber melhor a história desta terra que chegou a ser um dos maiores centros regionais de manufactura têxtil e que teve filhos ilustres, como João Baptista Vilares, para referir apenas o que está mais na memória dos sambadenses e de todo o concelho.

Pois é o altar-mor deste edifício religioso que o padre Francisco Pimparel pretende restaurar, contribuindo assim para valorizar este importante conjunto patrimonial. O assunto até não seria difícil de resolver, se houvesse entendimento com a Comissão de Festas de 2008, que pelos vistos teve um lucro razoável mas não está disposta a investir no espaço que, ao fim e ao cabo, serve de “aconchego” às iniciativas que produzem esses mesmos lucros, uma vez que, como acontece em todas as terras, são as doações à “Santa” que engrossam os cifrões. Parece-me a mim que investir na valorização do património religioso é uma boa opção para gastar os dividendos do que se pede em nome dos santos, mas como o assunto não me diz respeito, limito-me a registar o facto de que não estou a ver muito bem como é que este ano a próxima comissão de festas vai resolver o problema se não tiver “santa” para justificar os festejos. Certamente que o bom senso há-de prevalecer e Sambade não deixará nem de fazer a sua bonita festa nem de preservar o seu importante património religioso.

Ora, as obras do restauro vão custar cerca de 18000 euros. A Fábrica da Igreja dispõe de 6000 e o padre Pimparel conseguiu do padre Cordeiro (natural de Parada e a exercer em Roma há uns bons anos) uma generosa contribuição de 10000 euros. Ou seja, não será por dois ou três mil euros que o dito restauro deixará de se fazer e certo é que muitas das pessoas que lerem este texto darão um pequeno contributo, o que é muito fácil de fazer, utilizando a conta bancária da Fábrica da Igreja de Sambade, com o NIB 003500420000256113058.

Aliás, esta nem é a primeira vez que é feito um apelo para “acudir” à Igreja de Sambade. Há umas décadas talvez nos anos 40, princípios de 50 do século passado, uma faísca caiu na torre da igreja, danificando-a e estragando o relógio (possivelmente aquele cujo velho mecanismo ainda se encontra na igreja, como documenta uma das fotos da galeria de imagens). Foi efectuado um peditório para as obras de restauro e até o Dr. Manuel Faria escreveu uma melodia para o texto que aqui transcrevo:

 

Sambade a nobre aldeia está de luto

e chora a velha torre que perdeu.

Um raio que caiu do céu em bruto

a voz do seu relógio endoideceu.

 

Já não dá escola o bom Vilares

a chorar passa as noites inteirinhas

p’ra maior de todos os azares

já não advoga o Júlio das Meirinhas.

 

Já não há alegria nas raparigas

sorrisos já o perderam de todo

e da garganta já não há cantigas

só há por toda a aldeia luto e dor.

 

Entretanto, deixo também a notícia de que na Sexta-Feira Santa pelas 21.00 horas, a Igreja Matriz de Sambade acolherá mais um concerto de Música Sacra, um tipo de iniciativa que tem vindo a ganhar espaço cultural e com muita adesão do público, da freguesia e do concelho. As fotos que apresento na galeria de imagens são de um concerto realizado em Agosto de 2008 e que não tive a oportunidade de dar a conhecer.

Ainda no âmbito das celebrações da Páscoa, Soeima será este ano o lugar de realização da Via-sacra ao vivo, no Sábado de Ramos, pelas 21.00 horas.

 

Clique aqui para ver as fotos na Galeria de Imagens.

 

F. Lopes, 02 de Março de 2009